CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Caixa tem lucro recorde de R$ 11,5 bi de janeiro a setembro

No terceiro trimestre, lucro foi de R$ 4,8 bilhões, com alta de 122% em relação ao mesmo período do ano passado; resultado em nove meses já supera o projetado para o ano

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 10h08

A Caixa Econômica Federal encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, alta de 122% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro, o lucro atingiu o valor recorde de R$ 11,5 bilhões, o que representa um aumento de 83,7% frente ao mesmo intervalo de 2017. De acordo com o informe divulgado nesta quarta-feira, 14, o desempenho em nove meses supera o resultado projetado para o ano, de R$ 9 bilhões.

“O resultado histórico do trimestre demonstra um banco sólido, eficiente, crescendo de forma orgânica, sustentável e recorrente. Esse balanço aponta que temos capacidade de contribuir com o desenvolvimento do País, gerando emprego e renda sem abrir mão de resultados”, diz na nota o presidente da Caixa, Nelson de Souza.

Ele afirmou, em entrevista coletiva, que o lucro líquido do banco no terceiro trimestre é o segundo melhor resultado das estatais brasileiras, de qualquer setor, não só entre os bancos públicos. E que o lucro em nove meses é recorrente e histórico. “Esse resultado é sem eventos extraordinários e demonstra claramente a solidez e eficiência do banco.”

Segundo o vice-presidente de Finanças e Controladoria da instituição, Arno Meyer, esse resultado até fevereiro reflete a melhora das margens e a queda nas despesas para provisão com devedores duvidosos.

O presidente da Caixa disse ainda que a instituição equalizou os desequilíbrios em seu capital de 2016 e 2017 e que não haverá mais necessidade de aporte do governo federal ou da devolução de dividendos. "A Caixa resolveu o problema de capital", afirmou. Segundo ele, a Caixa já fez oficialmente essa comunicação ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda.

A margem financeira - diferença entre receita e despesas de juro - cresceu 4,2% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. 

Meyer afirmou que o patrimônio líquido da Caixa, de R$ 85 bilhões, com alta de 26,3% no comparativo trimestral, é significativo, dado que anteriormente era um dos mais alavancados entre os bancos brasileiros. Segundo ele, a alavancagem do banco caiu de 19 vezes para 15,1 vezes.

Crédio imobiliário aumenta

Os ativos administrados do banco estavam em R$ 2,3 bilhões em setembro de 2018, com avanço de 3,4% em 12 meses. Os ativos próprios totalizaram R$ 1,3 trilhão, crescimento de 0,9% em 12 meses. De acordo com Arno Meyer,  os ativos do banco não tiveram crescimento maior em decorrência de menor expansão do crédito, dada as restrições de capital. "Ainda temos, no entanto, a maior carteira de crédito de todo o sistema brasileiro, concentrado no crédito imobiliário", citou.

A carteira de crédito imobiliária da Caixa somava R$ 440,5 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2,7% em 12 meses, puxada pelas operações concedidas com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que atingiram R$ 258,5 bilhões, alta de 12,1% em 12 meses.

As operações concedidas com recursos próprios da Caixa, via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), totalizaram R$ 182 bilhões no terceiro trimestre.

A carteira de crédito ampliada da instituição somava R$ 693,8 bilhões em setembro, queda de 2,6% em 12 meses, repercutindo a estratégia adotada pelo banco de busca de equilíbrio de sua estrutura de capital, como destaca o informe de resultados.

O banco salienta que essa estratégia repercutiu favoravelmente nos índices de Basileia - que avaliam o grau de capitalização das instituições para enfrentar riscos -  e, como fruto dessa estratégia, as carteira de menor risco, como habitação e infraestrutura, cresceram. A Caixa afirma ter participação superior a 21% do mercado de crédito. O índice de Basileia do banco subiu 4,6 pontos porcentuais em 12 meses para 19,8% no terceiro trimestre.

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