Caixa terá offshore para reduzir custo de captação

Subsidiária em paraíso fiscal, comum entre os grandes bancos, pode facilitar a busca de recursos no exterior

ADRIANA FERNANDES E MURILO RODRIGUES ALVES, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2015 | 02h06

BRASÍLIA - A Caixa pretende abrir uma offshore (nome dado às empresas abertas em paraísos fiscais) para reduzir o custo das captações externas, neste momento em que o Tesouro Nacional já avisou que não vai injetar mais recursos no banco estatal neste e no próximo ano. A presidente do banco, Miriam Belchior, garantiu aos dirigentes que lhe apresentaram a ideia apoio à abertura de uma subsidiária no exterior.

Os maiores bancos brasileiros usam suas operações em paraísos fiscais para deixar mais rentáveis as emissões externas, e o comando da Caixa avalia que o banco não pode ficar sem essa alternativa de captação. A presença da Caixa no exterior já tem autorização do Banco Central, órgão regulador do sistema financeiro nacional.

A Caixa é a única dos maiores bancos brasileiros que não tem uma offshore - Banco do Brasil, Bradesco e Itaú fazem essas operações via subsidiárias nas Ilhas Cayman ou em Luxemburgo. A Caixa possui três representações (Estados Unidos, Japão e Venezuela), mas nenhuma subsidiária em paraíso fiscal.

Essa ideia é antiga, desde que o banco estatal começou a fazer captações no exterior, mas sempre encontrou resistências internas. Em reunião no fim de março, Miriam deu sinal verde para avançar nos estudos. O banco contratou uma consultoria externa para estudar o modelo de implantação, segundo relato de fontes. Internamente, há uma cautela para que a abertura da offshore não seja interpretada equivocadamente como uma estratégia para burlar a legislação brasileira.

A Caixa estreou no mercado internacional em novembro de 2012, ao levantar US$ 1,5 bilhão com investidores internacionais. Com a mudança da política econômica, a Caixa busca alternativas de captação de recursos a custo mais barato para manter seu ritmo de operação de concessão de financiamentos. Apesar de ter ainda o maior ritmo de crescimento do setor, o crédito na Caixa passa por uma brusca desaceleração: em 2014, a expansão foi de 22,4%, ritmo bem menor do que os 36,8% registrados em 2013. Nos dois anos anteriores, a taxa de crescimento chegou a 42%.

Uma offshore reduz o custo das captações externas por dois motivos. O primeiro pelo chamado "risco de fronteira": os investidores às vezes nem se interessam por emissões comandadas do Brasil ou cobram um prêmio pelo risco de crédito de poder haver uma restrição na política de divisas brasileira.

O segundo motivo é a economia no pagamento de impostos. Toda vez que um banco vai fazer remessa para o exterior, é preciso recolher imposto de renda sobre esse valor. A subsidiária no exterior não está sujeita a essa regra.

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