Valter Campanato / Agência Brasil
Valter Campanato / Agência Brasil

Caixa dará desconto de até 90% a devedor

Com mutirão de renegociação, banco estatal espera regularizar a situação de 3 milhões de clientes com débitos em atraso há mais de um ano

Aline Bronzati e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 17h49
Atualizado 21 de maio de 2019 | 22h26

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal vai oferecer condições especiais para que 3 milhões de clientes com dívidas vencidas há mais de um ano possam regularizar sua situação com o banco estatal. Os descontos irão de 40% a 90% dos valores devidos e o banco espera, com isso, recuperar até R$ 4 bilhões em débitos que eram considerados “causas perdidas”, conforme apurou o Estadão/Broadcast. Esse dinheiro, inclusive, já havia sido lançado como prejuízo no balanço da instituição.

Na mira da Caixa, estão 2,7 milhões de pessoas físicas e 300 mil empresas que deixaram de negociar com o banco e passaram a tomar dinheiro com financeiras por estarem “negativadas”. Em geral, as perdas que a Caixa quer recuperar estão no crédito consignado, aquele com desconto em folha de pagamento, e no cartão de crédito.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, 90% desses calotes são operações inferiores a R$ 2 mil, o que deixa o banco otimista em relação ao pagamento. “Se recuperarmos R$ 1 bilhão, esse já será um resultado excelente”, disse.

Nos últimos anos, os bancos reforçaram a cobrança dos devedores. Compraram, inclusive, empresas especializadas na recuperação de empréstimos vencidos e não pagos, os chamados créditos podres.

O Itaú Unibanco adquiriu a Recovery, o Santander Brasil comprou 70% da gestora Ipanema, que foi rebatizada e passou a se chamar Return, e o Bradesco fechou o ciclo ao adquirir, em outubro, o controle da RCB Investimentos. Banco do Brasil e Caixa já tinham os próprios braços de recuperação.

Como consequência, os bancos têm ampliado os recursos recuperados. De janeiro a março, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil recuperaram R$ 82,4 bilhões em créditos renegociados, montante quase 4% maior que o visto um ano antes. A Caixa ainda não divulgou seus números do período.

Na gestão anterior, o banco estatal tentou implementar uma ofensiva dentro de casa para recuperar créditos em aberto. A estratégia foi uma alternativa para rentabilizar sua base de devedores, já que estava proibida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de vender carteiras de empréstimos vencidos a empresas especializadas desde 2016. Essa é uma questão que Guimarães quer resolver em sua gestão para o banco poder voltar a atuar nessa frente.

Imóveis

O presidente da Caixa também anunciou que o banco estatal vai abrir uma nova linha de crédito imobiliário que terá a cobrança de juros conforme a variação da inflação. Será a primeira instituição a ir nessa direção, após as mudanças das regras do setor, no ano passado. Segundo ele, a nova linha terá R$ 10 bilhões, podendo financiar até 46 mil imóveis.

Atualmente, os financiamentos de imóveis da Caixa cobram juros calculados pela Taxa Referencial (TR) acrescida de 40% da Selic (equivalente a 4,5%, atualmente). O Estadão/Broadcast apurou que a nova linha da modalidade cobrará a variação da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acrescida de taxa de 4%.

Segundo o presidente do banco, isso facilitaria a conversão dessas operações de empréstimos em títulos a serem negociados pelo banco no mercado financeiro, a chamada securitização da carteira. “Essa modificação tornará mais fácil securitizar essa carteira. O mercado compra uma linha de IPCA, mas não compra uma linha de TR”, explicou Guimarães.

De acordo com o executivo, essa nova linha será financiada integralmente com recursos da poupança e o banco fará um hedge (proteção) em seu balanço para absorver eventuais flutuações do IPCA ao longo das operações, que normalmente têm prazos de até 30 anos.

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