André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Caixa vai fazer parceria com maquininhas para que crédito chegue às pequenas empresas, diz Afif

Para assessor especial do Ministério da Economia, a Caixa vai entrar em campo com contas digitais como já está sendo feito com o auxílio emergencial de R$ 600 para os trabalhadores informais

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 17h35

BRASÍLIA - O assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos, antecipou ao Estadão/Broadcast que a Caixa Econômica Federal vai fazer uma aliança com as empresas de maquininhas para garantir que a nova linha de crédito com aval do governo chegue, na ponta, às micro e pequenas empresas.  O segmento é um dos mais afetados pela pandemia da covid-19.

A ideia é que o crédito chegue na forma de contas digitais com a parceria das maquininhas.

Segundo Afif, como os bancos “não tem cacoete” para emprestar para as empresas pequenas, a Caixa vai entrar em campo com contas digitais como já está sendo feito com o auxílio emergencial de R$ 600 para os trabalhadores informais e população de baixa renda.

“Como foi feita a conta digital do coronavaucher, vamos bolar esse conceito de conta digital (com os clientes das maquininhas) para não ter burocracia”, informou  o assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A lei que cria o programa de crédito, batizado de Pronampe, foi sancionada nesta terça-feira, 19, e permite que um fundo público dê garantia para a cobertura 85% do financiamento.

A expectativa do Ministério da Economia é que na próxima semana o programa já esteja “na rua sendo" divulgado.

Segundo Afif, uma Medida Provisória será editada entre hoje e amanhã autorizando o Tesouro depositar R$ 15,5 bilhões no Fundo de Garantias de Operações (FGO), para dar suporte ao programa. Este fundo privado foi criado em 2009 e é administrado pelo Banco do Brasil (BB).

O regulamento do fundo está pronto, mas ainda será necessária uma aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que reúne o ministro da Economia, Paulo Guedes, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Eoconomia, Waldery Rodrigues, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

“O diferencial desse projeto é o fundo garantidor cobrindo 85% do risco”, disse Afif, ressaltando que a cobertura, em tese, dá tranquilidade para os bancos operarem. A falta de garantia, disse, emperra o acesso das micro e pequenas empresas ao crédito. “Mas como eu não confio muito nos bancos, a Caixa vai entrar em campo para dar exemplo. Esse é o trato nosso. A Caixa vai ser o banco social”, disse.

Ex-presidente do Sebrae, Afif ponderou que chegar até o universo dos pequenos é complicado porque nem os governos e nem os bancos conhecem bem esse segmento empresarial. “Quem conhece é o pessoal das maquininhas”, ressaltou.

Recebíveis

Afif informou que a proposta em discussão é que os recebíveis das maquininhas poderão entrar como garantia suplementar do crédito por meio de convênio com o banco. Os recebíveis serão usados para quitar a parcela do crédito.

“Eu aposto muito no sistema de maquininha como forma de chegar a ponta”, disse.

Para Afif, o interesse das empresas das maquininhas é manter o cliente vivo via a garantia do financiamento do capital de giro. Ele explicou que a Secretaria de Política Econômica (SPE) tinha uma proposta de crédito direto para as maquininhas, mas o uso do fundo garantidor exige que haja uma instituição financeira.

O Pronampe é destinado a microempresas com faturamento de até R$ 360 mil por ano e pequenas empresas com faturamento anual de de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões.

Para novas companhias, com menos de um ano de funcionamento, o limite do empréstimo será de até metade do capital social ou de 30% da média do faturamento mensal.

O valor poderá ser dividido em até 36 parcelas. A taxa de juros anual máxima será igual à taxa Selic (atualmente em 3% ao ano), acrescida de 1,25%.

As micro e pequenas empresas poderão usar os recursos obtidos para investimentos, para pagar salário dos funcionários ou para o capital de giro, com despesas como água, luz, aluguel, reposição de estoque, entre outras. O projeto proíbe o uso dos recursos para distribuição de lucros e dividendos entre os sócios do negócio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.