Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Setor automotivo terá linha de crédito com juro menor e prazo estendido na Caixa

Até o fim do ano, Caixa liberará R$ 5 bilhões em recursos para 591 empresas da cadeia produtiva de automóveis; orientação do governo é de que socorro seja oferecido também a outros setores

MURILO RODRIGUES ALVES, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 17h09

BRASÍLIA - O governo orientou os bancos públicos a socorrer as empresas da cadeia produtiva de diversos setores liberando financiamentos com juros mais baixos e prazos de amortização mais longos. A estratégia foi revelada nesta terça-feira pela presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, ao assinar o acordo de empréstimos com "condições especiais" ao segmento de automóveis.

A Caixa Econômica Federal oferecerá linhas de capital de giro e de investimento com juros mais baixos e prazos mais estendidos às empresas da cadeia produtiva do setor automotivo. Segundo Miriam Belchior, o banco liberará em torno de R$ 5 bilhões até o fim de 2015, em "condições especiais", às 591 empresas do setor. A fonte de recursos é própria do banco, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

O convênio entre o banco estatal e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) foi assinado nesta terça-feira, 18, em evento no edifício-sede da Caixa, em Brasília.

"São condições excelentes para apoiar um dos setores que mais empregam. Queremos dar tranquilidade para esse momento da travessia por que passa a economia do País", disse Miriam, na assinatura do acordo. A presidente da Caixa repetiu a mesma definição da presidente Dilma Rousseff para o atual momento de crise ao citar que a economia passa por uma "travessia".

Uma das novas linhas permite antecipação de contratos firmados entre o fornecedor e a montadora. O fornecedor pode suprir a necessidade de capital de giro, antecipando os recebíveis. Como tem como garantia o contrato que já firmou com as montadores, os juros são mais baixos. De acordo com o banco, a taxa inicial é de 1,41% ao mês e o prazo varia de acordo com o contrato. 

Outro produto disponível aos fornecedores é uma linha para capital de giro com taxas de juros de 0,83% ao mês para as empresas que se comprometerem a se "esforçar" para demitir o menor número de funcionários nesse momento de crise. Essa linha serve para as empresas conseguiram cumprir as despesas típicas dos últimos meses do ano, como o pagamento do 13º salário de empregos. O prazo de pagamento é de 60 meses. A Caixa não tem como obrigar as empresas a não dispensarem os funcionários, mas vai condicionar a taxa mais baixa ao "esforço" para que mantenham as vagas.

A Caixa também oferece linhas dentro do programa Pró-Transporte para renovação de frota, com taxas máximas de 9% ao ano e pagamento em até 90 meses, dependendo do projeto a ser financiado. Essa linha tem como fonte os recursos do FGTS.

É possível também financiar máquinas e equipamentos novos e usados, a partir de 1,5% ao mês mais TR, com os recursos do FAT. 

Outros setores. Também serão criadas linhas de capital de giro e investimento para os seguintes setores, além do automotivo: alimentos, papel e celulose, química, fármacos, eletroeletrônicos, energia elétrica, telecomunicações, petróleo e gás.

De acordo com Miriam Belchior, as linhas de capital de giro para o setor da construção civil estão "um pouquinho mais adiantadas" por causa das discussões para o lançamento da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida. A presidente da Caixa disse que se reuniria nesta terça-feira com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para discutir o tema. Também está agendado um encontro com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). 

Miriam disse que a orientação foi dada pela presidente Dilma Rousseff e o grupo de trabalho que discute as novas linhas é formado por representantes de diversos ministérios, incluindo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ao ser questionada se Levy concordou com liberação de crédito nesse cenário de juros e inflação elevados, Miriam disse que não houve objeção por parte dele.

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