Caixa vai patrocinar até time da série D

Banco vai investir R$ 100 milhões para ver sua marca nas camisas dos clubes

MURILO RODRIGUES ALVES, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2014 | 02h04

A Caixa Econômica Federal decidiu mudar a estratégia de patrocínio a times de futebol nesta temporada. Em vez de acrescentar outras equipes da série A à sua carteira de assistidos, o banco estatal procurou equipes da segunda e da terceira divisões para regionalizar a marca, em especial no Norte e Nordeste.

A mudança de rumo foi embasada por uma pesquisa do Ibope que revelou que, mais do que o patrocínio a Corinthians e Flamengo, que contam com as maiores torcidas do País, os brasileiros consideraram positivo o apoio do banco estatal a clubes como o Chapecoense, de Santa Catarina.

O Verdão do Oeste fez sua estreia na elite do futebol nacional depois de uma campanha brilhante na Série B, sem deixar a zona de classificação em momento algum.

A Caixa vai liberar em torno de R$ 100 milhões a clubes de futebol nesta temporada, valor que a coloca, de longe, como a maior patrocinadora dos times brasileiros. A cifra é 25% maior do que o banco estatal pretende investir em esportes olímpicos e paralímpicos (R$ 80 milhões) em 2014.

O diretor de marketing da Caixa, Clauir Luiz Santos, disse que o banco decidiu patrocinar times para rejuvenescer a marca. "No futebol, compramos a visibilidade de ter a marca toda quarta e domingo na transmissão dos jogos, em sete dos vinte clubes da primeira divisão. Nos esportes olímpicos e paralímpicos, temos historicamente uma causa a defender", afirmou.

Documentos. Para agregar valor à marca, o banco deixou de lado a lista com todos os pedidos de times da primeira divisão do Brasileirão - o Estado apurou que, entre os times da série A, só o Fluminense não pediu patrocínio à Caixa - para buscar os novos contemplados no Norte e no Nordeste.

Houve contato com os três times de Pernambuco (Sport, Santa Cruz e Náutico), mas nenhum deles tinha documentação fiscal em dia, impedimento para fechar os contratos. Da região, foram escolhidos os dois principais times de Natal (RN): ABC e América.

Na temporada passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), tentou canalizar os louros da ação de marketing, pedindo publicamente, pelo Twitter, que a Caixa patrocinasse os times da série B. No entanto, como a Caixa não conseguiu a folha de pagamento dos funcionários da prefeitura da capital potiguar, o patrocínio foi cancelado.

O Estado revelou que a Caixa condicionava apoio aos times em troca da folha de pagamento dos servidores públicos em agosto do ano passado.

O banco diz que negocia diretamente com os clubes e não precisa de intermediários. Para evitar que políticos se vangloriem de ter conseguido o dinheiro aos clubes, a Caixa não faz mais evento para a assinatura dos contratos. Em um desses anúncios, o senador Fernando Collor (PTB-AL) afirmou que foi ele que conseguiu o amparo do banco estatal à Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA).

Do Norte, os clubes escolhidos foram Paysandu (série C) e Remo (série D). Caso as negociações com os dois times do Pará sejam fechadas, vai ser a primeira vez que a Caixa patrocinará clubes de fora da primeira ou segunda divisões do Brasileiro.

Torcedores. Seguindo o exemplo dos cartões destinados a torcedores do Corinthians, a Caixa pretende lançar novos produtos, como cartões de crédito, títulos de capitalização e previdência destinados às torcidas.

O banco tem o interesse em renovar com todos os 11 clubes que patrocinou na temporada do ano passado, desde que os cartolas aceitem os mesmos valores que foram dados em 2013. "Já pagamos valor justo. Por isso, não vamos discutir reajustes em um ano de Copa do Mundo, quando ficaremos sem jogos do Brasileirão por 40 dias".

O diretor da Caixa diz que se reunirá com os clubes na próxima semana para deixar claro que o banco estatal vai fazer "marcação cerrada" no controle de atos de violência.

Em dezembro, torcedores de Atlético-PR e Vasco (ambos patrocinados pela Caixa) envolveram-se em uma briga na arquibancada na Arena Joinville, em Santa Catarina.

"Os clubes têm responsabilidade sobre o que acontece no estádio. Não vamos aceitar esse tipo de visibilidade negativa e deixaremos claro que poderemos rescindir o contrato de patrocínio em situações como essa", afirmou. A montadora de carros Nissan, que patrocinava o Vasco desde julho de 2013, cancelou o contrato com a equipe carioca por causa disso.

Sem relação com esse episódio, o Vasco terá um patrocínio menor da Caixa quando for renovar o contrato no meio do ano porque nesta temporada vai disputar a segunda divisão.

Santos não quis revelar o valor, mas disse que será maior do que foi pago aos clubes da Série B, já que o Vasco será a estrela da transmissão da segundo na neste ano.

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