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Caixa vende imóveis e desacelera crédito

Banco vai reduzir à metade o crescimento do volume de empréstimos em 2015 e prepara um megaleilão de mais de 8 mil imóveis próprios

Murilo Rodrigues Alves, Brasília

17 de janeiro de 2015 | 19h52

Sem a perspectiva de obter uma nova injeção de recursos do governo nos próximos dois anos, a Caixa Econômica Federal busca estratégias para continuar suas operações. Para isso, reduziu a meta de concessão de empréstimos em 2015, planeja ficar com mais da metade dos dividendos gerados em 2014 e prepara um megaleilão de mais de 8 mil imóveis próprios.

O primeiro passo da estratégia da Caixa foi desacelerar ainda mais a locomotiva de crédito. A nova projeção é expandir em 20% o crescimento do volume de empréstimos e financiamentos em 2015 é a metade da média dos últimos três anos.

Nos últimos anos, o banco teve um forte crescimento no volume de concessão de crédito, de longe o maior ritmo no mercado nacional. Até setembro, segundo informações do último balanço, o crescimento foi de 24,4% em um ano.

Em 2013, a expansão dos financiamentos beirou 37%. O crescimento nos dois anos anteriores chegou a 42%. O resultado é consequência do espaço ocupado pelos bancos públicos em meio à crise financeira global e à retração das instituições privadas na liberação de empréstimos. 

Leilão. Para reforçar seu capital, outra alternativa será promover um grande feirão de imóveis em todo o País. A Caixa colocou à venda 8.266 imóveis. A avaliação mínima de receita está próxima de R$ 2 bilhões. Um dos prédios, com 18 andares, além de dois subsolos, está situado na zona central de Brasília. Foi avaliado em R$ 72,8 milhões. 

A Caixa Econômica Federal informou, no último balanço, que o conjunto de edifícios, agências, máquinas e outros bens do banco está avaliado em R$ 3,5 bilhões. Mas, segundo a instituição, não há planos de desmobilização patrimonial desse ativo permanente. 

A Caixa conta, ainda, com a regulamentação da lei que permitirá reduzir à metade a parte do lucro repassado anualmente ao Tesouro Nacional. Cerca de 45% dos dividendos do ano passado foram transferidos à União. Até novembro, repassou R$ 3,9 bilhões. Agora, espera reter os 55% restantes. 

Queda de braço. O banco conseguiu vencer a queda de braço com o Tesouro Nacional para ficar com uma parte dos dividendos para compensar o fato de ter bancado o programa Minha Casa Melhor  mesmo diante de análises da própria área técnica de que o programa representa risco à saúde financeira do banco.

Ao fechar o balanço do ano passado, a Caixa vai apresentar informações sobre os custos operacionais e a inadimplência dessa linha de financiamento a juro baixo para compra de móveis e eletrodomésticos pelos beneficiários do Minha Casa Minha Vida.

Segundo a lei aprovada em junho de 2013, o banco foi dispensado de repassar a maior parte dos lucros em 2013 e nos anos subsequentes. Pela lei, o Tesouro abriu mão de até 75% do lucro líquido ajustado da Caixa. 

A decisão sobre o índice exato, porém, é do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A forma de elaborar o cálculo só foi regulamentada no fim do ano passado.

Como a União é dona da Caixa Econômica Federal, os lucros do banco são devolvidos ao Tesouro na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio. Essas receitas ajudam o governo a compor o superávit primário – economia para o pagamento dos juros da dívida. Em vez de repassados ao Tesouro, os recursos ficarão com a Caixa para cobrir custos operacionais e risco de crédito desses financiamentos.

A queda de braço entre o Tesouro e a Caixa pelos dividendos foi revelada pelo Estado em agosto do ano passado. O governo pressionava o banco a repassar todos os lucros previstos para ajudar a fechar as contas da União. Reter a maior parte dos lucros era condição do banco para manter a oferta de crédito em ritmo superior ao dos concorrentes mesmo sem novos aportes do Tesouro. 

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