Calçadista muda estratégia para competir com asiáticos

Setor fabrica produtos de maior valor agregado, com mais design e conteúdo de moda para atrair importadores

Paula Puliti, da Agência Estado,

11 de janeiro de 2008 | 14h28

Parte do grupo conhecido como órfãos do câmbio, o setor calçadista brasileiro está mudando seu perfil exportador para fugir da concorrência asiática em terceiros mercados e compensar a perda de rentabilidade provocada pela moeda desfavorável às exportações. Na Couromoda 2008, maior feira de calçados do País, que acontece de 14 a 17 de janeiro, os calçadistas vão mostrar aos importadores produtos de maior valor agregado, com mais design e conteúdo de moda. São mais caros em relação às faixas de mercado atendidas pelos fabricantes do Sudeste Asiático. Essa mudança de perfil da indústria brasileira de calçados e acessórios está atraindo um novo tipo de comprador, mais sofisticado. A Couromoda já tem confirmada a presença da italiana La Rinascente, rede de lojas de departamento de produtos de grife. "Nunca antes se vendeu um número tão grande de calçados com maior valor agregado como no ano passado. Nosso preço médio subiu consideravelmente e hoje já há pares vendidos a US$ 60,00", diz o presidente da Couromoda, Francisco Santos. Dentro dessa estratégia de mudança de perfil, o Brazilian Footwear, programa desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) e a Agência de Promoção de Exportações (Apex), realiza novamente durante a Couromoda 2008 os projetos Comprador Nacional e de Imagem. Nos quatro dias da feira, importadores e formadores de opinião estrangeiros vão conhecer os fabricantes brasileiros e negociar diretamente com eles. Por meio do Projeto Comprador Nacional, foram convidados importadores de Chile, Estados Unidos, Itália, Rússia e Austrália, países alvos de ações para calçados de maior valor agregado. O Projeto Imagem foi desenvolvido com o objetivo de trazer para a feira formadores de opinião de revistas especializadas. Neste ano, haverá jornalistas da Itália, da França e do Japão. "São países diretamente ligados à alta moda e ao design, com consumidores muito exigentes. Fazer parte do editorial destes veículos é uma porta de entrada para nossos calçados", segundo Vanessa Trevisan, coordenadora do Projeto. Toda essa tentativa de mudança de perfil é resultado de um período complicado para o setor e não acontece de uma hora para outra. O preço médio do calçado brasileiro em 2007 foi de US$ 10,41 o par, alta de 4,1% sobre 2006. De janeiro a novembro do ano passado o Brasil exportou 163 milhões de pares, uma queda de 1,4% em relação ao mesmo período de 2006. Mas por conta do aumento do preço médio, o faturamento com as vendas externas cresceu 2,6%.

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