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Calçadistas ameaçam com demissões e pedem ajuda do governo contra China

A indústria de calçados poderá promover nova rodada de demissões se o governo não tomar providências contra as importações do produto da China. Esse foi o recado levado ontem ao ministro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso. No último trimestre de 2008, o setor demitiu 42 mil trabalhadores."Esse surto de demissões, quando 13% dos funcionários perderam o emprego, poderá acontecer de novo no curto prazo, se as importações continuarem a crescer", afirmou após o encontro com o ministro. Segundo ele, o quadro atual requer uma ação de emergência. A Abicalçados pediu no ano passado a abertura de investigação por dumping contra as importações chinesas de calçados. Cardoso acredita que medidas antidumping podem dar fôlego ao setor. Segundo os dados da entidade, as importações de calçados da China cresceram 47%, passando de US$ 209 milhões, em 2007, para US$ 307 milhões em 2008. A expectativa dos empresários é que as compras cheguem a US$ 464 milhões em 2009, um aumento de 231% em quatro anos. Em setembro do ano passado, o setor empregava 336 mil pessoas. Em dezembro, o total caiu para 294 mil funcionários. Cardoso disse que, no último trimestre do ano passado, as demissões foram concentradas nas pequenas e médias indústrias. Agora, segundo ele, as grandes empresas estão chegando ao limite. "As empresas estão se afogando em estoques e em férias coletivas." Cardoso disse que a sua empresa - a Vulcabrás/Azaléia - já deu férias que venceriam apenas em 2010. ARGENTINASegundo Cardoso, o ministro Miguel Jorge não tinha conhecimento da situação atual e prometeu buscar uma solução. Outra reclamação do setor é em relação à perda do mercado argentino para a China. Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior, em fevereiro a Argentina importou 347 mil pares do Brasil e 507 mil da Ásia.Cardoso disse que o governo argentino parou de conceder licenças de importação para os calçados brasileiros. O setor assinou um acordo de limitação de exportações há quatro anos com a condição de que as licenças fossem concedidas em até 60 dias, como mandam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e de que não houvesse desvio de comércio. O presidente da Abicalçados disse que houve queda 51% nas exportações de calçados brasileiros para a Argentina em fevereiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2008.

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