Calçadistas argentinos reclamam de exportadores brasileiros

Com os resultados negativos da balança comercial da Argentina com o Brasil, os empresários locais ganharam mais força para aumentar as reclamações contra a importação de produtos brasileiros. O primeiro setor a levantar a voz contra os brasileiros é o calçadista. O presidente da Câmara de Calçados, Alberto Sellaro, afirmou que em 2004, os exportadores brasileiros exportaram dois milhões de pares de sapatos a mais do que foi estabelecido pelo acordo de cavalheiros, acertado no início do ano passado. O empresário anunciou uma rodada de negociação com o Brasil nos próximos dias 7 e 8 de fevereiro, na secretaria de Indústria, em Buenos Aires."Não há entendimento com a parte brasileira sobre um novo acordo para 2005", reclamou Sellaro. Segundo ele, a Abicalçados havia se comprometido em não superar uma cota de entre 12 a 13 milhões de pares de sapatos em 2004. Agora, Sellaro quer um acordo formal entre as partes para fixar novas cotas para 2005 e compensar a indústria argentina pelo não cumprimento das cotas de 2004.Ele anunciou que a Câmara de Calçados vai financiar um estudo do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) para determinar o tamanho do mercado argentino. Será com base nesse estudo, que a entidade vai pedir novas cotas para as importações de calçados do Brasil. Ele calcula que o mercado argentino de calçados é de entre 70 a 72 milhões de pares anuais. Mas os importadores afirmam que o mercado é muito maior e chega à cifra de 120 milhões de pares por ano.Sellaro defende a implementação de uma política industrial conjunta entre o Brasil e a Argentina para que seu país possa competir com igualdade de condições. Ele sustenta que os produtores brasileiros "têm um subsídio encoberto de 42%".

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