Calçadistas esperam salvaguarda após fracasso de acordo com China

A indústria calçadista, que fez um pedido formal de adoção de salvaguardas contra o produto chinês, aguarda agora que o governo brasileiro regulamente este tipo de medida, depois que a negociação direta com o país asiático não conseguiu um acordo voluntário de restrição das exportações. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, realizou reuniões nos últimos dois dias com representantes do governo chinês em Pequim."Por uma questão lógica, o Brasil deveria implantar (salvaguarda), porque a negociação não foi aceita", concluiu hoje o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, ao comentar o desfecho das reuniões em Pequim. "A diplomacia brasileira está cedendo demais", avaliou.A Abicalçados, que tinha um observador nas negociações, argumenta que há comprovação técnica da entrada maciça de calçados chineses no Brasil e, em decorrência disso, de dano ao mercado. "É um mecanismo legal", reforçou Klein, lembrando que estas regras foram aceitas pela China ao aderir à Organização Mundial de Comércio.Entre janeiro e agosto, o Brasil importou 9,5 milhões de pares de sapatos da China, informou Klein. O volume é maior que a importação feita pelo Brasil em 2004 de todos os países, que somou 8,9 milhões de pares, comparou o dirigente. Ele projetou que, se forem mantidas as atuais condições comerciais e a valorização do real frente ao dólar, o volume de importados da China pode até triplicar.Klein disse que o setor não ficou frustrado com o desfecho das negociações, pois não tinha expectativa de que pudessem resultar em acordo. Além disso, o retrospecto da China em acordos i nternacionais é desfavorável, já que o país descumpriu o que havia combinado com a União Européia, lembrou Klein.

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