Calçadistas terão crédito para capital de giro, anuncia Dilma

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou hoje uma linha de crédito de cerca de R$ 400 milhões para beneficiar, com capital de giro, alguns setores econômicos intensivos em mão-de-obra e com perfil exportador. O primeiro setor enquadrado neste benefício é o de calçados, informou a ministra, ressaltando que o projeto será anunciado na próxima semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ganhará seu formato final. A linha de crédito terá recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), disse Dilma.O financiamento será baseado na correção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), acrescida de até 2,8% ao ano. O Banco do Brasil será o agente repassador. O pagamento poderá ser feito em 12 meses, com 12 de carência, descreveu Dilma.Questionada sobre a taxa de câmbio, alvo de críticas da indústria calçadista e vista como obstáculo à exportação, a ministra afirmou que não há medidas em gestação para esta área no governo. "Isso não significa que não estejamos acompanhando todas as oscilações", comentou, observando que houve uma certa estabilidade das outras moedas em relação ao real, excetuando-se o dólar. "Agora estamos num momento em que está havendo uma ligeira elevação cambial", comparou.Benefícios ao trabalhadorO presidente da Federação Democrática dos Sapateiros, João Batista Xavier Silva, questionou a ministra sobre a possível ampliação das parcelas de seguro-desemprego para os trabalhadores do setor. A proposta da categoria é aumentar o benefício em mais duas parcelas e estender esta vantagem aos demitidos em 2006. Dilma disse que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, lhe sinalizou de forma positiva para o aumento do número de parcelas.Conforme o dirigente, cerca de 18 mil trabalhadores já foram dispensados pelas indústrias calçadistas. Os funcionários demitidos em 2005 puderam receber até duas parcelas adicionais de seguro, mas os desligados este ano não contam com o mesmo benefício. Além disso, a categoria pede que os trabalhadores demitidos no ano passado ganhem mais duas parcelas de seguro, pois permanecem sem emprego, explicou o dirigente.Dilma participou hoje de reunião do conselho de representantes na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), quando apresentou respostas do governo à reivindicações feitas no dia 19 de abril pela entidade. O presidente da Fiergs, Paulo Tigre, ponderou que a ministra "trouxe informação sobre cada item", mas ainda "é o início de um diálogo com o governo federal sobre uma necessária pauta microeconômica".

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