Calçadistas vão manter vendas para Argentina

Apesar dos temores de inadimplência, os fabricantes brasileiros de calçados vão manter as exportações para a Argentina. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Elcio Jacometi. A Argentina é o segundo maior mercado para o calçado brasileiro, atrás apenas dos Estados Unidos, e no ano passado (de janeiro a novembro) comprou o equivalente a US$ 128 milhões do Brasil, um incremento de 10% sobre o mesmo período de 2000.Jacometi afirmou que tudo o que se vende para a Argentina está sendo pago normalmente. Porém, por conta das restrições aos saques bancários (o ?curralito?) e do feriado cambial que terminou na sexta-feira passada, os recursos ainda estão indisponíveis no Brasil. Ainda assim, ele diz que não é o caso de afirmar que os distribuidores brasileiros são inadimplentes. "Eles estão pagando, só que os recursos ainda não chegaram. Não nos recusaremos a vender por causa disso", afirmou o executivo, que participou da abertura da Couromoda 2002, em São Paulo.A recessão econômica, e não a dificuldade na transferência de recursos, será o principal fator de queda das exportações de calçados brasileiros para a Argentina, neste ano. Jacometi disse que, sem dúvida, as vendas para o país vizinho vão cair, mas qualquer projeção sobre de quanto será o recuo é mero exercício de futurologia, afirma. "As regras econômicas mudam a toda hora na Argentina. Por isso, ficamos sem parâmetro para fazer projeções. A única certeza é que as vendas diminuirão", disse.Do total de calçados exportados pelo Brasil, a Argentina compra cerca de 9%, e os Estados Unidos, 68%. A recessão norte-americana foi a principal responsável pelo não-cumprimento da meta de crescimento do setor no ano passado, que era vender US$ 1,8 bilhão. O total ficou em US$ 1,6 bilhão. Para este ano, a meta continua a ser US$ 1,8 bilhão em vendas externar.Leia o especial

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