Calçados do Brasil chegam ao Oriente Médio

Quando a Calçados Beira Rio começou a exportar para o Oriente Médio, este ano, a empresa chegou a embarcar 3 mil caixas de sapatos com um erro fatal: fotos de modelos na tampa. "A encomenda chegou lá e eu precisei contratar uma pessoa para tapar com tinta preta as mulheres das caixas", conta Ivo Rizzardi, gerente de exportações da Beira Rio. Superadas as gafes culturais, os países do Oriente Médio estão se tornando um mercado bastante atraente para empresa, que sofreu um baque na Argentina. "Estimávamos uma venda de 600 mil pares para a Argentina este ano - vamos acabar exportando zero." Rizzardi calcula que, este ano, 15 mil pares de calçados Beira Rio devam chegar às prateleiras de lojas do Oriente Médio por mês. "Encontramos uma lacuna no mercado, já que estamos posicionados entre o sapato italiano, caríssimo, e o chinês, sem marca ou design", diz. O México herdou quase a totalidade das vendas para a Argentina. As exportações passaram de 100 mil pares em 2001 para 600 mil este ano. Mesmo cativando novos compradores, a indústria de calçados ainda registra uma queda em suas vendas externas. Segundo dados da Abicalçados, entre janeiro e agosto houve uma redução de 12% na receita de exportações de calçados, em relação ao mesmo período do ano passado. A queda deve-se principalmente à retração no consumo dos principais mercados para sapatos brasileiros, como Estados Unidos, Argentina e Canadá. "Mas essa queda teria sido consideravelmente maior, se nós não tivéssemos conquistado espaço em outros mercados", diz Francisco Santos, presidente da Couromoda. As vendas para o Oriente Médio saíram de US$ 5,8 milhões no ano passado para US$ 10 milhões este ano. No México, as exportações saltaram de US$ 2 milhões em 1999 para US$ 50 milhões em 2002. Para Santos, não é apenas a desvalorização do real que garantiu essa substituição de destinos. Segundo ele, o fato de os calçadistas brasileiros trabalharem com prazos mais curtos e maior flexibilidade para incorporar tendências foi dominante. "Nós participamos de uma feira na Alemanha em setembro e conseguimos vender para a China e Tailândia", conta Santos, acrescentando que esse tipo de exportação antes era impensável. "Vender sapatos para a China é como vender geladeira para pingüim. Eles têm preços imbatíveis." A Marisol também está explorando o Oriente Médio. A indústria têxtil abriu oito lojas no Líbano e vende roupas infantis de marca própria. "Optamos por colocar nossas próprias marcas lá fora", diz Robson Amorim, diretor comercial da Marisol. A empresa já tinha fabricado para outras marcas - produziu US$ 2 milhões para a Adidas no ano passado. Mas, segundo Amorim, existem diferenças entre uma indústria brasileira que vende as próprias marcas lá fora e uma que atua ao lado de países como Sri Lanka, Taiwan e China, produzindo para marcas famosas. "Marca própria é o caminho mais árduo, mas traz maior valor agregado." Amorim admite que o mercado da América do Sul é bem menos complexo, porque não há necessidade de adaptação nos produtos e o frete é mais simples. "Mas o mercado aqui tem suas particularidades, por isso é bom diversificar." Para Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), é importante que o Brasil explore novos destinos de exportação."O impacto foi grande, porque a Argentina consumia um quarto das nossas exportações, e teve uma queda de 73%", diz.

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