Cálculo da Petrobras prevê reajuste de 5% da gasolina

Um aumento de 5% na refinaria acarretaria reajuste de até 3% nos postos de combustíveis

Irany Tereza e Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo ,

26 de abril de 2008 | 17h00

A Petrobras já tem pronto o cálculo para reajuste da gasolina e do diesel nas refinarias. Mas, o anúncio depende ainda de aprovação do governo, o que deve ocorrer nos próximos dias. De acordo com uma fonte da estatal, o aumento pode ficar acima de 5%, para compensar em parte a defasagem entre o preço doméstico e o valor que o barril do petróleo que beira os US$ 120 no mercado internacional.  Um aumento de 5% na refinaria acarretaria reajuste entre 2,5% e 3% para o consumidor final, nos postos de combustíveis, na avaliação do presidente do Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz. Ele considera natural o reajuste, diante da escalada dos preços internacionais. "O correto seria rever tudo, inclusive o preço do GLP", comentou, referindo-se ao gás de botijão, que não é reajustado há exatamente 64 meses. O botijão de 13 quilos, usado principalmente por consumidores de baixa renda, tem seu preço quase subsidiado e não aumenta desde dezembro de 2002. Veja também: Lula nega que tenha sinalizado aumento de combustívelLula fala em defasagem no preço atual da gasolinaBrasil não vincula combustível a preço externo, diz MantegaPetrobras evita falar sobre possível aumento de combustível Na última sexta-feira, ao participar de uma inauguração em Paulínea, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez comentários que foram interpretados como uma preparação para a notícia. "Nós temos uma defasagem", reconheceu Lula, que emendou com a principal preocupação que retarda a decisão: o impacto na inflação. "Para que possamos tomar medidas de aumento de qualquer coisa na área de combustíveis, precisamos ver qual implicação vai ter na inflação", declarou. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que também participava do evento, preferiu não fazer qualquer comentário a respeito. Na noite anterior, o executivo participara de uma audiência com Lula, em Brasília. Ontem, Lula negou que as declarações feitas em Paulínea fossem uma sinalização de reajuste e afirmou que o assunto ainda não foi discutido com a direção da Petrobrás. Novo patamar de preço Há 31 meses gasolina e diesel permanecem com os preços inalterados. No último aumento, em setembro de 2005, a Petrobras também apresentou como justificativa para o reajuste a constatação de que o petróleo de referência, que alcançara US$ 64,08 em Nova York, configurava um novo patamar de preço. Os executivos da estatal conseguiram, então, convencer o governo a reajustar em 10% a gasolina e 12% o diesel, depois de dez meses de "congelamento". A defasagem referida por Lula não começou agora. Os técnicos da Petrobras avaliam como nava faixa de preço internacional do petróleo o intervalo entre US$ 115 e US$ 120 dos últimos 20 dias. Mas, quando chegou a US$ 100, a commodity já apontava ter estacionado vários degraus acima da faixa de US$ 65 que detonou o último reajuste interno. Mas a equipe técnica da estatal considerou que a valorização do real no período seria suficiente para segurar o preço. "Se não fosse isso, não seria possível", disse uma fonte da Petrobras. Queda-de-braço Há algum tempo está sendo travada uma queda-de-braço no governo entre correntes que defendem reajustar ou não os preços dos dois combustíveis. Gasolina e diesel são os mais representativos nos resultados da Petrobrás, correspondendo a 60% do faturamento da estatal. Por outro lado, a gasolina tem um peso de 5% na inflação e o diesel. de 1%.  Analistas do mercado financeiro cobram o repasse, pelo menos em parte, para absorver o impacto negativo que o "congelamento branco" poderá registrar nos resultados da empresa este ano, caso o óleo continue sustentando os atuais níveis de cotação. A estatal se vê obrigada a importar a um preço mais alto e vender por até 30% menos no caso do diesel ou 18% no caso da gasolina. Situação comercial difícil, agravada pela perda de mercado interno da gasolina para o álcool. Com o aumento da frota de carros flex, o combustível alternativo já ultrapassou as vendas de gasolina justamente por causa do preço, em torno de 60% mais barato. Colaborou Tatiana Freitas

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