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Cálculo da TR muda para evitar perda na poupança

A mudança vale para quando o juro utilizado como referência para o cálculo da TR ficar abaixo de 11% ao ano

Fabio Graner, do Estadão,

19 de julho de 2007 | 21h25

O Banco Central fixou nesta quinta-feira, 19, novos valores para um dos parâmetros utilizados no cálculo da Taxa Referencial (TR), o indicador que define o rendimento da poupança e do FGTS e a taxa de juros de contratos habitacionais. A mudança vale para quando o juro utilizado como referência para o cálculo da TR, a Taxa Básica Financeira (TBF), ficar abaixo de 11% ao ano.   Em nota à imprensa, o BC afirma que a mudança foi feita para garantir que a TR não entre no terreno negativo, o que diminuiria mais fortemente a rentabilidade da poupança (cuja regra de correção é TR + 0,5% ao mês) e do FGTS (TR + 3% ao mês).   O matemático José Dutra Vieira Sobrinho afirmou que a medida de fato evita uma TR negativa, o que ocorreria se o parâmetro atual utilizado no cálculo fosse mantido. "Se mantivesse o parâmetro atual, o rendimento da poupança cairia muito mais fortemente e, quando a TBF chegasse a 9%, a TR iria para o terreno negativo", afirmou. "Sem dúvida, a medida mantém a trajetória de queda na rentabilidade da TR e da poupança, mas suaviza essa tendência", afirmou.   Com base nos parâmetros novos definidos pelo BC, Sobrinho mostra que a rentabilidade da poupança, para uma TBF de 11%, seria de 7,36% ao ano, passando para 7,20% com a TBF em 10,75% e para 6,97% no caso de a taxa ficar em 10,25% ao ano. Se a TBF chegar a 9%, a rentabilidade da poupança pode ficar em 6,87% ao ano.   O economista Denis Blum, da Tendências Consultoria, avalia que a medida adotada pelo BC também tem por objetivo "flexibilizar", no caso, diminuir, a rentabilidade da poupança. Isto para evitar um desequilíbrio no sistema financeiro, já que, com a taxa básica de juros (Selic) mais baixa - ontem ela caiu para 11,5% ao ano - poderia haver uma forte migração de investimentos em fundos de renda fixa para a poupança, se a rentabilidade dessa modalidade, que não tem risco, não fosse reduzida.   "A nova tabela vai permitir uma redução na rentabilidade da poupança. Mas essa medida tem um alcance limitadíssimo. Não é significativa. Em algum momento no futuro o governo terá que mexer de forma mais forte na rentabilidade da poupança para evitar desequilíbrios (por conta da cada vez menor distância para a Selic)", afirmou Blum.   A decisão não é a primeira em que o governo mexe na fórmula da TR. Em março, uma alteração realizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) fez com que fosse diminuída a rentabilidade da TR e, conseqüentemente, da poupança. O objetivo foi justamente equilibrar os rendimentos da poupança com o dos fundos de investimento.

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