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Calderón admite resistência mexicana a acordo com Brasil

País resiste a acordo de redução de tarifas de importação com brasileiros

Denise Chrispim Marin e Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do México, Felipe Calderón, reconheceu ontem que há "resistências ideológicas, preconceituosas e de desconhecimento" em seu país à ampliação do acordo de redução das tarifas de importação com o Brasil. A constatação surgiu logo depois de Calderón e de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terem enfatizado que a liberalização do comércio bilateral será um meio essencial para a intensificação das relações econômicas entre os dois países. Mas, apesar da pressão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para que as negociações sejam retomadas, os dois governos não chegaram a determinar oficialmente o início das conversas. Como sinal do empenho na construção de uma "parceria verdadeiramente estratégica", Lula limitou-se a propor a Calderón que se encontrem duas vezes ao ano."Há setores muito sensíveis, e eu posso assegurar aos empresários do México que estaremos muito atentos a suas inquietações e opiniões", afirmou Calderón, ao final de um encontro reservado com Lula, no Itamaraty. "Dada a crise econômica, é previsível que o crescimento acelerado que necessitamos não venha das economias dos Estados Unidos, da Europa nem do Japão. Virá do crescimento acelerado das economias emergentes, como a da China, da Índia, do Brasil e do México", completou.O acordo vigente, assinado em agosto de 2002, envolve a redução de tarifas de importação para cerca de 800 itens do comércio bilateral - algo como 3,6% da pauta. Desde então, houve várias tentativas de ampliação do universo - o primeiro passo para a negociação de um acordo de livre comércio entre Brasil e México.Todas fracassaram por causa da resistência de setores dos dois países que competem diretamente entre si, como o químico e o petroquímico. Dessa vez, Lula propôs que os dois países explorem essa possibilidade "serenamente", com a avaliação de "convenientes e inconvenientes", para tirar proveito do ''outro lado da moeda da crise''."Do ponto de vista econômico, não é compreensível que dois países - um com 110 milhões de habitantes e o outro com 200 milhões de habitantes, e (ambos) com Produto Interno Bruto (PIB) sem muita diferença - tenham um fluxo de comercial de US$ 7,4 bilhões", defendeu Lula, que também apelou para que os empresários mexicanos e brasileiros elevem o investimento de lado a lado. "Isso é nada na relação de países do tamanho do México e do Brasil."Diante da imprensa, Lula criticou diretamente o fato de o México ter mantido elevada dependência da economia dos Estados Unidos e insistiu que a opção do governo brasileiro de intensificar o comércio com a América Latina, a África e a Ásia poupou o País de sofrer um impacto maior da crise mundial. Em tom de mea culpa, Calderón reconheceu o erro do México. "Daí a nossa intenção de diversificar nossas relações e de intensificar a relação entre México e Brasil", disse Calderón, que encerrou ontem sua visita de Estado.

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