Josh Edelson/AFP
Josh Edelson/AFP

Suásticas em banheiros e insultos: Califórnia processa Tesla por denúncias de racismo

Relatos de centenas de funcionários negros apontam para rotina de discriminação racial em fábrica de Fremont, na Baía de São Francisco, da companhia de Elon Musk

Redação, The New York Times

11 de fevereiro de 2022 | 11h44

Uma agência estadual da Califórnia está processando a Tesla, acusando a empresa de permitir discriminação racial e assédio na fábrica que fica em Fremont, na Baía de São Francisco. O Departamento de Empregabilidade e Habitação Justas da Califórnia (DFEH, na sigla em inglês) afirmou que centenas de trabalhadores da Tesla reportaram terem sido alvo uso de insultos raciais - inclusive, de supervisores - além de conviverem com suásticas gravadas no banheiro e caricaturas depreciativas de negros desenhadas pela fábrica. 

Eles também acusam a companhia de práticas discriminatórias. A agência diz que trabalhadores negros foram designados para funções fisicamente mais exaustivas e tiveram promoções e transferências recusadas com maior frequência na comparação com outros empregados. 

“Após receber centenas de reclamações de trabalhadores, DFEH encontrou provas de que a fábrica de Fremont da Tesla possui um ambiente de trabalho racialmente segregado, onde funcionários negros são submetidos a injúrias raciais e discriminados em tarefas, disciplinas e promoções, criando um ambiente hostil de emprego”, afirmou o diretor do departamento, Kevin Kish, em um comunicado. “Os fatos deste caso falam por si”, completou. 

Em uma nota postada na internet, antes de o processo ser ajuizado, a Tesla informou que é “veementemente contra” todas as formas de discriminação e assédio. A companhia contestou o processo feito pelo departamento da Califórnia, argumentando que a agência estadual já investigou dezenas de reclamações anteriormente, nos últimos anos, e não encontrou nenhuma má conduta. 

“Isso prejudica a credibilidade da agência que agora alega, após uma investigação de três anos, que discriminação sistemática racial e assédio existam de alguma forma na Tesla”, falou a companhia. “Uma narrativa criada pelo DFEH e um punhado de empresas para gerar publicidade não é prova factual.” 

A empresa afirma que a fábrica de Fremont tem uma “força de trabalho majoritariamente composta por minorias” e descreveu o processo como contraprodutivo “em um momento em que empregos manufatureiros estão deixando a Califórnia”. Tesla mudou seu QG para o Texas no último ano e abriu uma nova fábrica, em Austin. 

A companhia também afirmou que a agência estadual em questão recusou seus pedidos de informações sobre as acusações. A empresa planeja pedir à corte para “pausar o caso e tomar outros passos para garantir que fatos e provas sejam analisados”.

Em outubro, um júri federal em São Francisco concedeu US$ 137 milhões a um ex-funcionário negro da Tesla. O trabalhador afirmou, à época, que enfrentou assédio racial de um supervisor e outros colegas, enquanto trabalhava na fábrica de Fremont, entre os anos de 2015 e 2016. Segundo ele, empregados desenharam suásticas e “arranharam” insultos raciais em uma cabine de banheiro e deixaram caricaturas depreciativas de crianças negras pela fábrica. 

No mês seguinte, outra funcionária da Tesla processou a companhia, acusando-a de permitir assédio sexual, tanto verbal quanto físico. Mais seis mulheres também processaram a empresa em dezembro, citando tratamentos similares. 

No último mês, uma das principais executivas negras da Tesla, Valerie Capers Workman, deixou a companhia. Como chefe de RH da Tesla, era ela quem que se expunha muitas vezes para responder aos processos. 

A Tesla não retornou aos pedidos do "The New York Times" para comentar o assunto. Esta reportagem apareceu originalmente no The New York Times. / TEXTO DE NIRAJ CHOKSHI, TRADUÇÃO DE FELIPE SIQUEIRA 

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