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Call center aposta em veteranos

Segundo associação do setor, 10% dos trabalhadores de telemarketing têm idade acima de 40 anos. Muitos deles já são aposentados

Luciele Velluto, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

A operadora de call center Vera Lúcia Vilela Arigussi atende clientes de uma empresa de energia elétrica do Espírito Santo. Do outro lado da linha telefônica o consumidor dificilmente sabe disso, mas é uma pessoa de 63 anos que responde à ligação. Da mesma forma quando alguém recebe uma chamada de cobrança por uma conta em atraso, a voz de quem busca o dono da fatura é de Paulo Oliveira, de 72 anos, ou de Maria Cecília de Lima, de 65 anos.

A rotina desses trabalhadores são exemplos da mudança pela qual passa o setor de telemarketing no País, que não quer ser conhecido apenas como a porta de entrada para quem inicia sua vida profissional, mas também como alternativa para aqueles com experiência e que não são mais aproveitados pelo mercado de trabalho devido à idade.

Tanto é verdade que, de acordo com dados da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), existem 1,1 milhão de pessoas que trabalham no setor, sendo que 10% tem mais de 40 anos.

Foi a necessidade de continuar a trabalhar que fez com que os três personagens da reportagem voltassem à ativa. "Ainda não sou aposentada. Trabalhei anos sem carteira assinada e precisava achar algo com registro. Foi quando soube que havia uma empresa que dava curso gratuito para quem quisesse trabalhar na área. Fiz e fui contratada", relembra Vera Lúcia, que há dois anos e meio trabalha na Dedic GPTI.

No andar em que ela trabalha há cerca de 70 pessoas por turno. Ela é chamada de mãe, tia e sogra e é a conselheira da turma. "Eles admiram a minha calma para atender, e é isso que tento passar para meus colegas. O ambiente é bom. Nunca sofri preconceito por ser mais velha", conta Vera. "Eu tenho idade, mas não sou de idade, gosto de conviver e aprender com a juventude. Isso faz com que veja o mundo como ele está agora", acrescenta a atendente.

Para Vera Lúcia, a experiência ajuda a lidar com as pressões da nova profissão. "Minha filha achava que eu não iria aguentar", conta ela, que antes de ser operadora já havia trabalhado como recepcionista e também na área administrativa.

Há um ano e nove meses na Contax, outra empresa do ramo, o professor de inglês aposentado Paulo Oliveira admite não conseguir se manter só com o que recebe da Previdência Social. "Trabalho por necessidade. A aposentadoria é pouca. Preferia ficar em casa, mas não dá. Tenho sorte de ter um emprego nessa idade", diz.

Diferença de idade. O operador de call center acredita, porém, que o trabalho rejuvenesce. "Tenho cabeça de uma pessoa de 19 anos. Acho que isso faz a diferença. Mas aqui me chamam de senhor Paulo, mesmo dizendo que não precisam me chamar de senhor. Mas não tem jeito. É assim que os mais jovens me tratam", afirma o trabalhador.

Recém-contratada, Maria Cecília está há um mês e meio no novo emprego porque também precisava complementar a aposentadoria. "Estava procurando um trabalho como auxiliar de limpeza. Não imaginava que esse setor contratava gente da minha idade", afirma Maria Cecília, que tem 65 anos e costumava trabalhar como inspetora de alunos antes da aposentadoria.

Para a operadora, o trabalho lhe devolve a jovialidade. "Me sentia com 18 anos no primeiro dia de treinamento na empresa. Estar com a garotada me rejuvenesce. Aqui é a união da experiência com a juventude."

Dona Cecília - como os jovens colegas de trabalho a chamam - acredita que o setor de contact center é um dos poucos que abre portas para quem tem mais experiência e estava fora do mercado de trabalho. "Desde 1997 só ficava em casa. Esse serviço me trouxe motivação."

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