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Em julho, inadimplência nos empréstimos subiu pelo oitavo mês seguido, puxada por empresas de menor porte

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

Em julho, a parcela dos empréstimos com atrasos de mais de 90 dias subiu pelo oitavo mês seguido e atingiu 5,9% das operações, o pior nível da série iniciada em 2000. A alta da inadimplência foi provocada pelas empresas, sobretudo as de menor porte, e ocorre apesar da recuperação do crédito. No mês, o volume de empréstimos cresceu 2,6% ante junho. Mais uma vez, bancos públicos lideraram, com destaque para os R$ 25 bilhões emprestados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Petrobrás. O aumento da inadimplência ocorreu apenas nos empréstimos para empresas. Nesse tipo de operação, 3,8% dos créditos - o correspondente a R$ 1,44 bilhão - têm pagamentos atrasados, no maior nível desde maio de 2001. Em junho, essa parcela era de 3,4%. Nos financiamentos para pessoas físicas, o índice continuou estável em 8,6% pelo terceiro mês seguido. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, diz que os indicadores têm sofrido principalmente com a inadimplência nas linhas de desconto de duplicatas (8,5% das operações) e conta garantida (4,7%), uma espécie de cheque especial das empresas. Essas são as duas operações de crédito mais usadas pelas empresas, sobretudo as de menor porte. "Enquanto boa parte das grandes observa melhora do acesso ao crédito, as pequenas e médias ainda enfrentam situação bastante restritiva", diz o analista da LCA Consultores Bráulio Gomes. Para ele, o quadro deve melhorar a partir de setembro com a retomada da atividade e início da operação do Fundo Garantidor de Operações (FGO), espécie de seguro para empréstimos de pequenas empresas. O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Fernando Nogueira da Costa concorda que os números devem melhorar. Ele lembra que a inadimplência reage com defasagem à piora da economia. "Ainda é consequência do choque passado, quando o crédito ficou restrito e juros subiram. Essas empresas contrataram o empréstimo com juro mais alto que o atual e muitos setores ainda têm dificuldade nas vendas", avalia. Os dados do BC mostram também que a reação do mercado de crédito ocorre principalmente nas operações com recursos direcionados, quando o uso do dinheiro é determinado pela legislação. Nesse tipo de operação, o volume de operações cresceu 7,8% em julho ante o mês anterior. Nos empréstimos com recursos livres, operações típicas de mercado, onde há maior competição entre os bancos comerciais, o volume avançou apenas 0,4% na mesma base de comparação. BANCOS PÚBLICOSAssim como ocorreu nos meses anteriores, os bancos públicos lideraram a expansão do crédito, com crescimento de 6,2% no total de empréstimos. O valor foi inflado pela operação bilionária do BNDES com a Petrobrás. O ritmo é bastante distinto dos concorrentes. No mesmo período, bancos privados nacionais tiveram aumento de 1% no volume emprestado e os estrangeiros diminuíram o crédito em 0,8% na comparação com junho. "Os dados mostram que os bancos públicos ainda lideram a recuperação do crédito, o que é importante para minimizar os efeitos da crise", diz o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival. Mas os bancos privados devem reagir em seguida. "Agora, com a expectativa de reação mais forte da economia, há perspectiva de que as instituições privadas passem a ser mais atuantes, com maior oferta de crédito."O executivo afirmou que o recente aumento da demanda por crédito vai fazer a instituição revisar para cima a previsão de expansão da carteira de crédito em 2009. A previsão atual é de 40%. "Em um mês, devemos apresentar um novo número, maior", afirmou.

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