coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Calote do cheque é o maior em 4 anos

De cada 100 cheques compensados em março, 2,36 foram devolvidos, aponta pesquisa da Serasa Experian

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h06

O calote do cheque deu um salto em março e atingiu no mês passado a maior marca em quase quatro anos. De cada 100 cheques compensados em março, 2,36 foram devolvidos por falta de fundos, depois de serem apresentados pela segunda vez, aponta levantamento feito pela Serasa Experian com base em dados do Banco Central.

O recorde anterior havia sido batido em maio de 2009, quando esse indicador estava em 2,52%. Em fevereiro, a inadimplência do cheque foi de 1,90% e, em março de 2012, de 2,19%.

"O resultado foi maior do que esperávamos", afirma o economista da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. Ele ressalta que, normalmente, o calote aumenta em março por causa das compras de Natal e das despesas de janeiro e fevereiro com impostos e educação. Mas, neste ano, o aumento foi acima do previsto.

Para o economista, há dois outros fatores impulsionando o calote do cheque além da conta. O primeiro é o aumento da inflação, puxada pela alta dos preços dos alimentos. A inflação corrói o poder de compra de todos, mas afeta principalmente os mais pobres. Tanto é, ilustra Almeida, que as Regiões Norte e Nordeste, que concentram os estratos sociais mais pobres do País, registraram os maiores índices de inadimplência no cheque em março, de 5% e 4,73%, respectivamente.

O outro fator que, na opinião do economista puxou para cima o calote foi provocado pela maior seletividade dos bancos na hora de aprovar o crédito por causa da alta da inadimplência do crediário no ano passado. "O consumidor que ficou muito tomado no cartão de crédito pode ter migrado para o cheque pré-datado", diz o economista, ponderando que não tem dados que mostrem essa migração. De toda forma, em março de 2012, quando a inadimplência do consumidor em geral era maior, o índice de calote do cheque era menor do que o atual.

Aliás, de fevereiro para março, a inadimplência do cheque cresceu 26,4% e deu impulso ao índice geral de calote do consumidor. Almeida destaca que o valor médio dos cheques devolvidos no primeiro trimestre foi de R$1.573,29, cifra 10% maior que em 2012. "A cifra reflete negócios de microempresas", diz.

Feirão. Diante da resistência do calote, a Serasa Experian inicia hoje no estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, na zona leste, um feirão de renegociação de dívidas, do qual participam oito empresas, sendo seis bancos. O evento vai até sábado. O que é atípico no feirão é que normalmente as campanhas são em junho. Agora começaram mais cedo, em abril.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.