Calote é o maior em 12 meses, diz BC

Taxas de juros também sobem e a do cheque especial, por exemplo, aumentou para 185,4% ao ano, o maior patamar desde abril de 99

Fabio Graner e Renata Veríssimo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

O calote no pagamento dos empréstimos subiu para 5,1% em maio, atingindo o maior patamar nos últimos 12 meses. O avanço da inadimplência reflete o aumento das taxas de juros pelo Banco Central e a inflação mais persistente este ano, que levaram a um comprometimento maior da renda dos brasileiros. A taxa de juros do chamado crédito livre, no qual os bancos podem emprestar no segmento que quiserem, atingiu 40% ao ano no mês passado, a mais alta desde fevereiro de 2009.

O chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel, disse que o aumento da inadimplência já era esperado, em função dos atrasos nos pagamentos de empréstimos com vencimentos em até 90 dias, mas a situação deve mudar ao longo da segunda metade do ano. "A tendência desse movimento é de acomodação da taxa de inadimplência, porque estamos tendo expansão da economia, da renda e do emprego", afirmou. "A inadimplência só preocupa em um ambiente econômico desfavorável.".

Os dados do BC mostram que o aumento dos juros em maio foi apenas para as empresas, passando para 31,1% ao ano. Nas operações de pessoa física, a taxa permaneceu estável em 46,8% ao ano, embora alguns segmentos tenham ficado mais caros. A taxa do cheque especial, por exemplo, aumentou para 185,4% ao ano, o maior patamar desde abril de 1999.

Com o encarecimento dos empréstimos, a média diária de concessão de novos créditos recuou 5,3% em maio na comparação com abril. Para pessoa física, a queda foi de 4,6% e, para as empresas, de 5,8%. "Com juros mais altos, a reação das famílias e dos agentes é de maior cautela", avaliou Maciel.

Mais caro. Os números parciais de junho apontam para mais uma rodada de aumento no custo do crédito tanto para as empresas, quanto para as pessoas físicas. O BC entende que isso é reflexo das ações tomadas para conter o ritmo de crescimento da concessão de empréstimos e para trazer a inflação para um patamar mais baixo.

Ainda assim, o BC elevou sua estimativa para o ritmo de crescimento do estoque de crédito na economia este ano, passando de 13% para 15%. O novo número ainda está dentro da faixa que o presidente do BC, Alexandre Tombini, considera adequada. Segundo Maciel, a nova projeção reflete o desempenho ocorrido até agora e fatores como juros mais altos e inflação.

A estimativa também leva em conta uma moderação no crescimento do crédito no segundo semestre. "O crédito cresce este ano de maneira mais comedida do que no ano passado", disse Maciel, que avalia que a taxa de expansão em 12 meses, ainda na casa de 20%, vai se desacelerar.

A revisão para cima na estimativa de crescimento do crédito coloca uma pulga atrás da orelha dos analistas em relação à real trajetória da economia. Afinal, a previsão maior não deixa de ser um reconhecimento de que a moderação do crédito não ocorre na velocidade esperada pelo BC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.