Calote é pouco provável, avalia governo brasileiro

"Ninguém no mundo está preparado para um default (calote) da dívida americana", admitiu ontem o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendei. "É uma hipótese tão inaudita que não tem como saber quais seriam as consequências."

Lu Aiko Otta / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

Cozendei fez essas afirmações ao comentar a hipótese, considerada improvável pela equipe econômica, de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não conseguir a autorização do Congresso para elevar seu endividamento. Isso seria como tirar o chão sob os pés do mercado financeiro internacional, que usa os títulos americanos como referência para calcular os preços dos papéis de todos os demais países.

O tema preocupa o governo brasileiro, assim como a persistente dificuldade da Europa em dar uma solução definitiva para a crise na Grécia.

A piora no cenário mundial foi tema de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff esta semana. A ela, foi transmitida a avaliação que o problema da dívida americana será solucionado, pois os custos de um calote para os EUA e para a economia mundial seriam elevados demais. Por isso, aposta-se que será superada a disputa política em que se transformou a discussão do teto do endividamento.

Solução. Essa impressão foi reiterada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele acredita que o Legislativo dos EUA autorizará Obama a ampliar a dívida. "Se não, eles vão engessar o governo e isso vai pegar mal também para o Congresso. Então eu acredito numa solução." O ministro disse ter "certeza" que as agências de avaliação de risco não rebaixarão a classificação dos papéis americanos, como vem sendo especulado.

Mantega se mostrou um pouco mais preocupado com a crise na Europa. "Lá o buraco é um pouco mais embaixo", comentou, sem entrar em detalhes.

Segundo Cozendei, que esteve na segunda-feira na reunião do Conselho de Estabilidade Financeira, em Paris, na França, os próprios europeus reconhecem que a demora em achar uma solução da crise para a Grécia pode se transformar numa dificuldade para o bloco decidir "sobre qualquer coisa." / COLABOROU ADRIANA FERNANDES

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