Plenário da Câmara aprova criação da Taxa de Longo Prazo (TLP)

TLP é uma das principais apostas do governo para reduzir o subsídio que o Tesouro dá para viabilizar os empréstimos do BNDES

Fernando Nakagawa, Igor Gadelha, Isadora Peron e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

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BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados concluiu na tarde desta quarta-feira, 30, a votação da Medida Provisória 777 de 2017 que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), a nova referência para os empréstimos de longo prazo. A aprovação da redação final foi feita em votação simbólica após a derrubada de três destaques apresentados pela oposição.

A matéria segue agora para análise do Senado Federal, onde precisa ser aprovada antes de 7 de setembro, quando a MP perde a validade. Pela MP, a nova taxa vale a partir de janeiro do próximo ano e será substituta da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Oi, operadores de rodovias e aeroportos têm tido problemas para honrar dívidas em meio à crise Foto: Paulo Vitor/Estadão

A TLP é uma das principais apostas do governo para reduzir o subsídio que o Tesouro Nacional tem de dar hoje para viabilizar os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – cuja principal referência é a TJLP. Além disso, a nova taxa de juro aumentará a potência da política monetária, o que poderá resultar em taxa Selic mais baixa no futuro.

Hoje, o banco de fomento empresta dinheiro a empresas pela TJLP. Fixada pelo governo, a taxa está em 7% ao ano, juro menor do que o custo que o Tesouro tem para se financiar no mercado por meio da emissão de títulos públicos, que é a taxa básica de juros (Selic), de 9,25% ao ano. A TLP deverá oscilar conforme as taxas de mercado e tem como principal referência o juro das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B).

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Além da redução do subsídio, Banco Central e Ministério da Fazenda consideram a Taxa de Longo Prazo importante, pois ela estaria mais próxima dos parâmetros de mercado e contribuiria para a política monetária. Com a TLP, a avaliação é de que a eficácia da taxa básica de juros também aumentaria no controle da inflação. A nova taxa é uma das principais medidas legislativas defendidas pelo BC para modernizar o mercado de crédito no Brasil.

Entenda como funciona o BNDES

1 | 7 O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é um banco de fomento que pertence ao Governo Federal. Ele tem como principal objetivo financiar projetos que tragam benefícios a longo prazo para a economia do País. Foto: Fábio Motta/Estadão
2 | 7 O Sistema BNDES é formado pelo banco e suas duas subsidiárias: a Agência Especial de Financiamento Industrial (FINAME) e a BNDES Participações S.A. A FINAME tem como objetivo financiar a produção e comercialização de equipamentos e máquinas nacionais novas, com limite de R$ 1 milhão e um prazo de 60 meses. Já a BNDES Participações S.A é uma sociedade de ações reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada para administrar as participações de empresas detidas pelo banco, como um holding responsável por desenvolver o mercado brasileiro de capitais. Foto: Fábio Motta/Estadão
3 | 7 Para conseguir uma linha de crédito, o requerente deve demonstrar um cadastro satisfatório, dar garantias suficientes, ter a capacidade para pagar o empréstimo e estar em dia com todas as obrigações fiscais, tributárias e sociais. Ele também não pode estar em regime de recuperação de crédito e deve estar em dia com a legislação ambiental. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
4 | 7 No ano de 2016, o BNDES liberou um total de R$ 88,29 bilhões em empréstimos. Uma queda de 35% em relação ao ano anterior. Com 15,7% do total de empréstimos concedidos, o setor agropecuário foi o principal beneficiário dos empréstimos. Ao todo ele recebeu R$ 13,89 bilhões. Ele é seguido pelo setor de eletricidade e gás, com R$ 9,8 bilhões, 11,1% do total, e pelo de comércio, com R$ 7,45 bilhões, 8,5% do total de empréstimos. Foto: Epitácio Pessoa/Estadão
5 | 7 Os empréstimos do BNDES seguem como referência a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 7% ao ano e reajustada a cada três meses. A partir de 2018, porém, o indicador a ser utilizado será a Taxa de Longo Prazo (TLP), que deixará de ser indicada pelo governo para acompanhar as taxas de juros do mercado. Feita mensalmente pelo Banco Central (BC), a correção levará em conta a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), acrescida gradualmente do rendimento real do título público NTN-B com vencimento em cinco anos. Foto: Pixabay
6 | 7 O BNDES tem linhas de financiamento para micro, pequenas e médias empresas. Também oferece crédito para obras de infraestrutura, compra de máquinas, equipamentos e veículos, obras de ampliação e reformas de empresas e empréstimos sobre o capital de giro. O apoio pode se dar de forma indireta, por meio de instituições bancárias credenciadas, ou direta, quando o financiamento for superior a R$ 20 milhões. Foto: Paulo Whitaker/Estadão
7 | 7 Cerca de 84% são provenientes dos fundos Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do PIS-PASEP e do Tesouro Nacional. Outros fundos governamentais, como o Fundo da Marinha Mercante (FMM) e o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), também contam, além de captações no exterior, via emissão pública de debêntures, por exemplo. Foto: Fábio Motta/Estadão

Comemoração. Presidente da República em exercício, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) comemorou a aprovação da medida.

Segundo ele, a nova medida acaba com “privilégios” e é uma “grande vitória para a sociedade”. “Falam muito que as nossas pautas têm apenas como foco cortar gastos do setor público, a TLP começa acabar com privilégio do setor privado, que prejudica muitas pequenas e médias empresas e concentra em poucas um subsídio público, que não é aprovado pelo congresso, que ninguém claramente conhece”, disse.

Nos últimos anos, os empréstimos do BNDES a empresas têm sido alvo de denúncias e suspeitas, por supostamente beneficiar apenas alguns setores da economia.

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