Câmara Brasil-China alerta para riscos de retaliação chinesa

O presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), Paul Liu, disse hoje que ainda é cedo para avaliar se a China vai retaliar o Brasil por conta da regulamentação das salvaguardas, publicada ontem. "Só saberemos a reação da China depois que as salvaguardas forem, de fato, aplicadas contra os importados chineses", afirmou. Para ele, a regulamentação do mecanismo, por si só, não vai provocar reações da China, mas sim o montante de processos que entrarão em vigor.A principal preocupação é que, caso resolva retaliar, os chineses mudem seus fornecedores de minério de ferro, soja, celulose, aço e autopeças, produtos que compõem 75% da pauta brasileira de exportações para a China. De janeiro a setembro, o Brasil vendeu aos chineses US$ 4,76 bilhões, alta de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, e importou US$ 3,841 bilhões, 47,8% acima dos mesmos nove meses de 2004.A participação dos produtos brasileiros na pauta de importações chinesas é inferior a 1%, mas os quase US$ 5 bilhões que o Brasil vendeu para a China neste ano fazem diferença maior, pois representaram 5,5% das exportações brasileiras em 2005 até setembro. "O Brasil é competitivo nesses produtos, mas não somos os únicos. A China sempre pode procurar um novo fornecedor", afirmou o empresário.Continuidade das negociaçõesLiu defende a continuidade das negociações para a adoção de restrições voluntárias e é contra a adoção de barreiras ao comércio. Para ele, o problema da indústria brasileira é que muitos setores não "fizeram a lição de casa", ou seja, não se prepararam para a competição externa. "As salvaguardas são apenas um mecanismo para alguns setores ganharem tempo, como o têxtil, de calçados e de brinquedos", ressaltou.

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