-15%

E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Câmara dos EUA aprova lei para recuperar bônus da AIG

Lei impõe um imposto de 90% sobre os bônus pagos a executivos cujas rendas excederem US$ 250 mil

Reuters,

19 de março de 2009 | 16h20

Em um movimento surpreendentemente rápido, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira, 19, um projeto de lei para recuperar a maior parte dos US$ 165 milhões concedidos em bônus pela American International Group (AIG) a seus funcionários.

 

Veja também:

linkEntenda a polêmica dos bônus

Respondendo ao incômodo público e político causado pelo pagamento de bônus após a seguradora receber ajuda do governo para continuar operando, a Câmara aprovou o projeto por 328 votos a 93. A lei impõe um imposto de 90% sobre os bônus pagos a executivos cujas rendas excederem US$ 250 mil.

O imposto será aplicado a executivos de empresas que receberam pelo menos US$ 5 bilhões em ajuda financeira do governo.

 

Devolução

 

Em testemunho para um comitê formado por indignados legisladores e irados contribuintes, o presidente executivo da AIG, Edward M. Liddy, havia dito ontem que "a fria realidade da concorrência de mercado" o levou a pagar a polêmica quantia de US$ 165 milhões como bônus a vários de seus executivos. E que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sabia.

 

O depoimento provocou uma tempestade política. "Tudo o que fizemos foi em parceria com o Federal Reserve", disse Liddy. "Eles têm a habilidade de determinar algo a favor ou contra sobre tudo em discussão." Liddy acrescentou que a AIG conversou sobre isso com o corpo de dirigentes e com representantes do Fed por três meses.

Para Liddy, a melhor forma de recuperar o dinheiro é dos contribuintes era manter a atividade da empresa. Diante da repercussão negativa, Liddy pediu aos executivos que receberam bônus acima de US$ 100 mil que voluntariamente devolvam pelo menos metade do dinheiro.

Em comunicado, ontem, o procurador-geral do Estado de Nova York, Andrew Cuomo disse que a proposta da AIG é "muito pequena" e chegou "muito tarde". "O povo americano tem o direito de saber o que está acontecendo com as enormes somas do seu dinheiro. O sr. Liddy precisa entender isso."

A AIG pagou em média mais de US$ 1 milhão em bônus a 73 funcionários, revelou na terça-feira Cuomo. Onze nem estão mais na seguradora - algo que o próprio Liddy chamou de "repugnante." O maior bônus foi de US$ 6,4 milhões.

 

Obama

O pagamento dos bônus enfureceu o presidente Barack Obama, que ontem reforçou sua "indignação" e disse que pedirá ao Congresso a aprovação de uma legislação que dê ao governo maior poder regulatório em instituições financeiras. Obama afirmou que é "escandaloso" que o governo tenha de "limpar o que foi feito pela AIG". "Mas igualmente escandalosa é a mentalidade de que essas bonificações são um sintoma, uma mentalidade de avareza excessiva, de compensações excessivas, de adoções de riscos excessivas."

Mais de 80 pessoas compareceram à audiência. O representante Barney Frank, democrata que encabeçou o comitê de Serviços Financeiros da Câmara, advertiu que não toleraria tumulto. Mas um grupo de manifestantes levantou cartazes pedindo cadeia aos executivos da AIG.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Crise nos EUABônus da AIGAIG

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.