Câmara dos EUA rejeita aumento de límite da dívida

A Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pelo Partido Republicano, rejeitou hoje, em votação simbólica, o plano do Partido Democrata para elevar o limite legal de endividamento do governo do país. O Senado, controlado pelos democratas, havia votado contra um plano dos republicanos na noite de ontem, de modo que persiste o impasse político que poderá levar à declaração de moratória da maior economia do mundo.

AE, Agencia Estado

30 de julho de 2011 | 18h20

A bancada republicana na Câmara colocou em votação hoje uma versão do projeto do líder da maioria (democrata) no Senado, Harry Reid, que eleva o teto da dívida em US$ 2,2 trilhões, o que seria suficiente para permitir ao governo funcionar até 2013, e corta os gastos públicos em US$ 2,2 trilhões nos próximos dez anos. Os republicanos usaram, porém, uma manobra de procedimentos pela qual seriam necessários dois terços dos votos para que esse projeto fosse aprovado. Foram 173 votos a favor e 246 contra.

O Senado, por sua vez, deve iniciar o debate sobre o projeto de Reid à 1h deste domingo (2h em Brasília), numa maratona de discussões e votações que poderá se estender por todo o dia. Os senadores democratas e o presidente Barack Obama passaram boa parte do sábado tentando atrair apoio de republicanos suficiente para chegar aos 60 votos necessários para que o projeto avance. Mas um grupo de 43 senadores republicanos enviou uma carta a Reid afirmando que não vai apoiar esse projeto, o que sugere que será difícil conseguir os 60 votos necessários para garantir que o plano chegue ao plenário sem mudanças. "Ele não vai passar no Senado e não vai passar na Câmara; é um projeto sem futuro", disse o líder da minoria (republicana) no Senado, Mitch McConnell.

Essa incerteza fez o senador Reid e a líder da minoria (democrata) na Câmara, Nancy Pelosi, seguirem para a Casa Branca logo depois da votação na Câmara, para consultas com Obama. Horas antes, em seu programa semanal pelo rádio, o presidente havia dito que "há múltiplas maneiras de resolver esse problema" e que "o Congresso precisa encontrar terreno comum em torno de um plano que possa obter o apoio dos dois partidos na Câmara. E tem de ser um plano que eu possa assinar até terça-feira".

O limite legal de endividamento do governo dos EUA, de US$ 14,29 trilhões, foi alcançado em meados de maio; na ocasião, o Departamento do Tesouro disse que teria como fazer manobras que permitissem ao governo continuar funcionando até 2 de agosto; sem um acordo no Congresso, alguns órgãos do governo poderão ter de fechar por falta de recursos a partir da próxima terça. No dia 15, porém, há um vencimento de juros da dívida de US$ 31 bilhões; caso o pagamento não seja feito, as agências de classificação de crédito deverão rebaixar o rating dos EUA, que servem de referência para vários tipos de ativos nos mercados financeiros internacionais. A turbulência que isso pode provocar nos mercados globais teria consequências imprevisíveis. As informações são da Dow Jones.

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