André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Câmara esvazia após lista de Fachin e recuperação fiscal fica para a semana que vem

Presidente da Casa e um dos investigados, Rodrigo Maia encerrou a sessão mais cedo por falta de quórum; ao todo, 42 deputados estão na lista

Igor Gadelha e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2017 | 19h18

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão plenária desta terça-feira mais cedo, sem votar o projeto que cria o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para Estados em calamidade financeira. Maia encerrou os trabalhos, pois não havia quórum suficiente no plenário para analisar a proposta. A previsão agora é de que a proposta só volte a ser votada na próxima semana.

O quórum no plenário começou a diminuir, após o Broadcast/Estadão divulgar a lista dos políticos que tiveram inquérito deferido pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Os pedidos são baseados nas delações premiadas dos 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. Após a divulgação da lista, deputados começaram a deixar o plenário da Câmara. 

O próprio Maia é um dos 42 deputados que serão investigados pelo Supremo com base na delação de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Ao Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado, ele afirmou que confia na Justiça e tem convicção de o inquérito aberto contra ele pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, será arquivado.

"Eu vou repetir o que eu sempre tenho dito: eu confio na Justiça, confio no Ministério Público e confio na Polícia Federal. Os fatos serão esclarecidos e os inquéritos serão arquivados. Há citações de delatores, que o processo vai comprovar que são falsas e os inquéritos serão arquivados", disse.

Fachin determinou a abertura de inquérito contra nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) - como mostram as 83 decisões do magistrado do STF. O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao STF com base nas delações da empreiteira. 

Essa é pelo menos a quarta vez que a Câmara tenta votar o projeto que cria o RRF. As duas primeiras vezes foram na última quarta, 5, e quinta-feira, 5. O governo, porém, não conseguiu quórum para votar a proposta, adiando para esta semana. Ontem, 10, mais um vez, não houve quórum mínimo de deputados no plenário para realizar a votação. 

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