Câmara investigará calote de R$ 1,4 bilhão da Boi Gordo

A Câmara dos Deputados vai investigar o escândalo da Fazendas Reunidas Boi Gordo, que pediu concordata em outubro de 2001, dando um calote de R$ 1,4 bilhão em 32 mil investidores. A pedido do deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), a Comissão de Defesa do Consumidor realizou hoje uma audiência pública convidando os administradores e os credores da empresa para discutir a concordata, que está parada há sete meses na Procuradoria Geral da Justiça em São Paulo, aguardando o parecer de um procurador.Fleury acusou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de omissão no caso. "A CVM deixou que o golpe se concretizasse para depois agir." Os administradores da Boi Gordo não compareceram à audiência. Os credores, por sua vez, compareceram em peso à audiência.A Boi Gordo vendia Contratos de Investimento Coletivo (CIC) atrelados a cabeças de boi para engorda em suas fazendas, prometendo um retorno de 42% em 18 meses. Uma das campanhas de marketing, dirigida ao pequeno investidor, era protagonizada pelo ator Antônio Fagundes, que já interpretou o Rei do Gado no horário nobre da TV.Na época da concordata, quando parou de honrar os contratos, a empresa informou ter 100 mil cabeças de gado e uma dívida de R$ 750 milhões com os credores. Estes, por sua vez, garantem ter quase o dobro, ou R$ 1,4 bilhão, em CICs da Boi Gordo em aberto.Segundo Fleury, mesmo que a dívida fosse de R$ 750 milhões e a empresa tivesse aplicado 50% do valor em cabeças de gado - como manda a legislação que rege esse tipo de contrato -, ela teria de ter 1,1 milhão de cabeças ao pedir concordata, 1 milhão a mais do que declarou.Os participantes da audiência na verdade denunciaram que o golpe continua, agora em uma segunda fase, por meio de outra empresa, a Global Brasil. A empresa se apresenta como uma sociedade formada por credores da Boi Gordo e oferece aos demais investidores a troca dos seus CICs por uma participação na Global Brasil "para poder recuperar o máximo possível do investimento efetuado nas Fazendas Reunidas Boi Gordo". Credores presentes à audiência disseram que os administradores da Global Brasil estão associados a Andrade.

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