Câmara veta acordo que reduzia imposto nos EUA

Aumento do prazo para tributo patronal menor havia sido aprovado pelo Senado; decisão é novo revés para Obama

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h01

Em clara afronta à Casa Branca e ao Senado dos Estados Unidos, a Câmara dos Representantes rejeitou ontem acordo fechado entre líderes republicanos e democratas para prorrogar por dois meses a redução do imposto patronal de 160 milhões de trabalhadores e o seguro-desemprego, além de outros incentivos para a economia americana.

As medidas haviam sido aprovadas no sábado pelo Senado e compunham o pacote de estímulos do presidente dos EUA, Barack Obama, enviado em setembro passado ao Congresso.

Sem a prorrogação, os benefícios devem expirar em 31 de dezembro, com impacto sobre o crescimento econômico ainda débil e a taxa de desemprego, de 8,6% em novembro. A alíquota do imposto sobre empresas e trabalhadores aumentará de 4,2% para 6,2% a partir de 1o de janeiro. Para cada americano empregado, essa elevação significará uma despesa adicional de US$ 1.000 ao ano.

Ao justificar a votação de ontem, com placar de 229 a 193, o presidente da Câmara, deputado John Boehner, afirmou ser mais prudente negociar a prorrogação da medida por um ano. Curiosamente, esse era o período sugerido por Obama no pacote de setembro. A extensão por apenas dois meses, como foi aprovada pelo Senado, traria mais "incerteza" ao ambiente econômico, disse Boehner.

Mas há outros tópicos de especial interesse republicano nessa votação. Entre elas, a aprovação do Senado à retomada das obras do oleoduto Keystone, suspensas pelo governo Obama porque a tubulação passará por um aquífero importante para os Estados do Meio-oeste. Os republicanos ainda pressionam o Senado a concordar com a reforma do seguro-desemprego.

Boehner convocou uma rodada de negociações entre a Câmara e o Senado para chegar a um novo acordo até o dia 31, mesmo ciente da resistência das lideranças democratas. "Há ainda 11 dias antes do final do ano e, com tantos americanos se esforçando, não há razão para desperdiçá-los", afirmou ele em carta a Obama na qual o desafiou a convocar o Senado a retomar os trabalhos e a apontar seus negociadores.

"Vamos ser claros: o acordo bipartidário alcançado no sábado (pelo Senado) é o único caminho viável para impedir o aumento de imposto em 1o de janeiro. É o único", rebateu Obama, em uma inesperada declaração à imprensa, na Casa Branca.

A reviravolta da Câmara dos Deputados acentuou a polarização política em torno de temas econômicos já observada nas discussões sobre o acordo de redução da dívida pública, em julho passado. Essa postura avessa a acordos com a Casa Branca democrata reflete, sobretudo, as ambições eleitorais em 2012. "Eu preciso que o presidente da Câmara e os deputados republicanos ponham a política de lado e cheguem juntos a algo que possamos estar de acordo", afirmou Obama.

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