Camargo Corrêa compra fatia da Votorantim na CPFL

Grupo vai desembolsar R$ 2,67 bi pela participação de 14,3%, bem acima do esperado

Sonia Racy e Alexandre Calais, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Após uma disputa acirrada com a Neoenergia e a Cemig, a Camargo Corrêa exerceu seu direito de preferência e assinou ontem a compra da participação de 14,3% da Votorantim na CPFL. A Camargo Corrêa vai desembolsar R$ 2,67 bilhões, valor bem acima do que vinha sendo estimado pelo mercado - de algo em torno de R$ 2 bilhões. O preço por ação ultrapassa R$ 43, enquanto ontem, na Bovespa, a ação ordinária (com direito a voto) da CPFL estava cotada em pouco mais de R$ 30.Com a compra da fatia da Votorantim, a Camargo Corrêa passa a deter 28,6% do capital da CPFL. A Camargo já faz parte do bloco de controle da CPFL, que conta ainda com a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, com 31,1% do capital, e de outros fundos de pensão que, juntos, detêm 12,7% das ações. A holding CPFL atua nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia. Em 2007, teve receita operacional bruta de R$ 14,2 bilhões e lucro líquido de R$ 1,6 bilhão. Camargo Corrêa e Votorantim entraram na CPFL em novembro de 1997, no leilão de privatização da empresa. Junto com o Banco Bradesco, as duas empresas criaram a holding VBC Energia e se uniram aos fundos de pensão para disputar a companhia. Há dois anos, o Bradesco saiu da VBC e do bloco de controle da empresa. A Votorantim, por sua vez, já vinha ensaiando a sua saída há algum tempo - as negociações se arrastaram por cerca de um ano.Segundo fontes, a Camargo Corrêa acabou pagando mais do que esperava para exercer seu direito de preferência nas ações da Votorantim porque teria restrições aos potenciais candidatos à compra: a Cemig e a Neoenergia - dona de empresas como a distribuidora Coelba, da Bahia, e Cosern, do Rio Grande do Norte.No caso da Neoenergia, a explicação poderia ser o fato de que um dos grandes acionistas da empresa é a própria Previ. E o fundo de pensão poderia ter seu poder aumentado na CPFL com a eventual aquisição.CAPITALIZAÇÃOPara a Votorantim, no entanto, esse acabou se revelando um grande negócio. O grupo vem, desde o fim do ano passado, tentando se capitalizar, depois de ter revelado, em meados de outubro, uma perda de R$ 2,2 bilhões com operações de derivativos cambiais.Desde então, o grupo já se desfez de alguns ativos. Vendeu, por exemplo, no início de novembro, as empresas de biotecnologia Alellyx e CanaVialis, por mais de R$ 600 milhões, para a multinacional Monsanto. No início deste mês, vendeu também uma participação de 49,9% do Banco Votorantim para o Banco do Brasil, um negócio de R$ 4,2 bilhões. Agora, embolsa mais R$ 2,67 bilhões com a CPFL.Nesse meio tempo, porém, o Grupo Votorantim também foi às compras. Neste mês fechou acordo para a compra da participação de 28% das famílias Lorentzen, Almeida Braga e Moreira Salles na Aracruz, por R$ 2,7 bilhões - praticamente o mesmo valor recebido pela fatia na CPFL. Fez ainda proposta para ficar com a fatia de 28% do Grupo Safra na empresa de celulose, pagando a mesma quantia de R$ 2,7 bilhões.A Votorantim, por meio da VCP, seu braço na área de papel e celulose, já detinha 28% das ações da Aracruz. Para fazer essas operações, a Votorantim contou com a ajuda do BNDES, que pode desembolsar até R$ 2,4 bilhões e entrará no bloco de controle da Aracruz.

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