Camargo Corrêa contesta CSN e aguarda decisão do CADE sobre Cimpor

Empresa diz que aquisição de fatia na cimenteira "não afeta as relações de concorrência no Brasil"

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2010 | 11h40

A Camargo Corrêa divulgou comunicado ontem à noite informando que apresentou uma contestação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em 17 de fevereiro, referente à solicitação encaminhada uma semana antes pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de medida cautelar para que a companhia "se abstenha de interferir na administração da subsidiária brasileira da Cimpor - Cimentos de Portugal". A Camargo Corrêa aguarda a decisão do Cade sobre a contestação.

Em curto comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador português, a Camargo Corrêa afirma que a aquisição das ações da Cimpor aconteceu no "âmbito da estratégia de expansão internacional das atividades da empresa" e que tal decisão "não afeta as relações de concorrência no Brasil".

A Camargo Corrêa acrescenta que a apresentação, por parte da CSN, da medida cautelar "não prejudica a aquisição de ações da Cimpor já realizada pela Camargo Corrêa, nem o exercício dos respectivos direitos."

Ontem, o Cade se manifestou afirmando que não deverá adotar a sugestão da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça de suspender os efeitos da compra de parte das ações da cimenteira Cimpor pela Camargo Corrêa e Votorantim. O conselheiro Vinícius Carvalho, relator do processo no Cade, informou à Agência Estado que aceitou um acordo proposto pela Votorantim, que defende a continuidade das negociações, mas determinou que a empresa não interfira nas decisões empresariais da Cimpor relacionadas ao Brasil.

O parecer da SDE, pela suspensão até que o negócio fosse julgado pelo sistema da concorrência, atendia ao pedido de medida cautelar feito na semana passada pela CSN que também tenta adquirir ações da Cimpor. A SDE sugeriu ao Cade que proibisse a Votorantim, a francesa Lafarge, a Camargo Corrêa e a Cimpor de realizarem qualquer transferência de ativos relacionados aos negócios que desenvolvem no Brasil.

A Votorantim comprou participação de 17,28% que a Lafarge possuía no capital social da Cimpor e, após novas negociações, ficou com 21,2% da empresa. A Camargo Corrêa, por sua vez, comprou 31,2% da cimenteira portuguesa.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fez uma Oferta Pública de Ações (OPA), na Bolsa de Valores de Portugal, para tentar comprar o controle acionário da Cimpor. O prazo da oferta de aquisição de ações da Cimpor pela CSN termina no dia 22 de fevereiro, próxima segunda-feira.

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