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Camargo Corrêa faz oferta de R$ 3,6 bi pelo controle da cimenteira Cimpor

A Camargo Corrêa fez ontem uma oferta pública de aquisição do controle acionário da portuguesa Cimpor - décima maior fabricante de cimento do mundo. O valor do negócio deve atingir cerca de 1,5 bilhão, ou R$ 3,6 bilhões pelo câmbio de ontem, disseram ao 'Estado' fontes ligadas à operação.

DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2012 | 03h04

O grupo brasileiro já é o maior acionista individual da Cimpor, com uma participação de 33%, e ofereceu 5,50 por ação para ter os outros 67%. O outro grande acionista brasileiro na cimenteira portuguesa, o grupo Votorantim, porém, deve continuar na empresa com sua fatia de 21%.

É que os sócios brasileiros acertaram que, numa segunda etapa, farão uma cisão. Nesse momento, a Votorantim deverá deixar a Cimpor, levando ativos da cimenteira portuguesa fora do Brasil - a empresa opera em 13 países e é forte em economias emergentes como Egito, China, África do Sul e Índia.

A Camargo Corrêa, por sua vez, ficaria com as fábricas da Cimpor no Brasil, onde a empresa portuguesa é a quarta do ranking, e também com algumas plantas no exterior.

Em nota, a Votorantim afirmou que vai "avaliar todas as alternativas que se apresentem". A Camargo só se manifestou sobre a oferta pública de ações.

Executivos da Camargo passaram a semana em Lisboa formulando os termos da oferta pública de ações e negociando com os sócios portugueses da Cimpor. A Caixa Geral de Depósitos, já anunciou que pretende vender a participação de 9,58% que possui na cimenteira. Os outros grandes acionistas locais são o empresário Manuel Fino, com 10,7%, e o fundo de pensão dos funcionários do Banco Comercial Português, com 10%.

Disputa. Rivais no mercado de cimento, a Camargo Corrêa e a Votorantim tornaram-se sócias da Cimpor em 2010, depois de uma aguerrida disputa com a siderúrgica CSN, do empresário Benjamin Steinbruch.

O dono da CSN fez uma oferta hostil pelo controle da cimenteira portuguesa. Mas Camargo e Votorantim atropelaram Steinbruch e compraram, juntas, 54% da empresa portuguesa.

O segundo passo dessa operação, a divisão dos ativos da Cimpor entre os brasileiros, já era esperado e começa com o anúncio da oferta pública feito ontem. Pelo seu tamanho, a Votorantim, maior fabricante de cimento do País, não poderia anexar as operações da Cimpor no Brasil, sob o risco de aumentar a concentração no setor.

Mas essa opção é aceitável para a Camargo, hoje a terceira maior do ramo no País. Por outro lado, as fábricas que a Cimpor tem espalhadas pelo mundo são tudo que a Votorantim precisa para acelerar sua internacionalização. A Cimpor opera em 13 países de quatro continentes (Europa, Ásia, América do Sul e África).

A costura do acordo entre Camargo e Votorantim foi feita com a máxima cautela, para evitar problemas com a legislação de defesa da concorrência. No fim do ano passado, quando surgiram as primeira informações sobre a negociação, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) impôs algumas restrições.

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