Camargo Corrêa fica com 94,8% da portuguesa Cimpor

Grupo brasileiro, que já tinha 33% da empresa, pagou 1,5 bilhão pelas ações restantes e fez acordo de troca de ativos com a Votorantim

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h05

A Camargo Correa aumentou ontem sua participação na cimenteira portuguesa Cimpor para 94,81%. A empresa já tinha 33% das ações da cimenteira e fez uma oferta pública para comprar todas as ações. O investimento, só nesta fase, somou 1,5 bilhão, sem considerar a negociação para a compra da fatia da empresa que estava nas mãos da Votorantim. Ao todo, a Camargo Corrêa já investiu cerca de 3 bilhões para comprar a Cimpor.

O negócio encerrou uma disputa antiga pelo controle da Cimpor, que envolveu três empresas brasileiras -Camargo Corrêa, Votorantim e CSN- e enfrentou resistência de acionistas portugueses.

"Estamos muito satisfeitos por atingir o objetivo estabelecido há mais de 10 anos pelo Grupo Camargo Corrêa ao assumir o controle da Cimpor, um passo determinante da nossa expansão internacional", disse, em comunicado, José Édison Barros Franco, presidente da InterCement, divisão que reúne os ativos da aérea de cimento do grupo Camargo Corrêa.

A Camargo Corrêa pagou 5,50 por ação da Cimpor, um prêmio de cerca de 10% em relação a cotação dos papéis em 30 de março. Os recursos virão de financiamentos contratados no Bradesco, Itaú e Banco do Brasil. Depois da Camargo e Votorantim, os principais acionistas da empresa eram a Caixa Geral de Depósitos, o Banco Comercial Português e o empresário Manuel Fino.

A negociação com a Votorantim, dona de 21% da Cimpor, foi feita à parte e envolveu uma troca de ativos em duas etapas. Primeiro, a Camargo Corrêa passará para a Cimpor seus ativos na área de cimento e concreto na América do Sul e Angola e receberá, em troca, parte das operações da Cimpor em seis países. Os negócios da cimenteira portuguesa na China, Índia, Marrocos, Tunísia, Turquia, Peru e Espanha (exceto Cimpor Sagesta e Inversiones) passarão para a Camargo Corrêa. Em seguida, eles serão transferidos para a Votorantim como forma de pagamento pela venda de sua fatia na companhia portuguesa.

"Gostaria de frisar que não era nossa intenção fazer a troca de ativos, mas ela surgiu porque um acionista relevante (Votorantim) disse-nos que não venderia sem isso", afirmou Franco, em Lisboa, à agência Reuters.

Procurada, a Votorantim não quis comentar o negócio.

Expansão. Com a Cimpor, a Camargo Corrêa saltará da terceira para a segunda posição no ranking de produtores de cimento do Brasil, segundo dados mais recentes do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). A empresa dobrará sua produção no País para cerca de 11,4 milhões de toneladas por ano. A liderança ainda está nas mãos do grupo Votorantim, com produção de 22,4 milhões de toneladas no País. Com os ativos que receberá pela venda de sua fatia na Cimpor, o grupo deve ampliar sua produção no exterior.

A Cimpor é peça-chave no processo de internacionalização da divisão de cimentos da Camargo Corrêa. A empresa tem operações em 12 países, 42 unidades (entre fábricas e moagens) e cerca de 8 mil funcionários. Com uma capacidade de produção de 36,5 milhões de toneladas por ano, a Cimpor está entre os dez maiores grupos produtores de cimento no mundo.

A operação do grupo Camargo Corrêa na área de cimento é menor. A companhia está em seis países e tem capacidade de produção de 16 milhões de toneladas por ano. No ano passado, a InterCement faturou R$ 2,88 bilhões e registrou um lucro líquido de R$ 257 milhões.

A companhia iniciou sua internacionalização em 2005, com a aquisição da companhia argentina Loma Negra. Em 2010, começou a comprar ações da Cimpor. / COM REUTERS

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