Camargo Corrêa muda estrutura da Tavex para crescer com marca Santista

Dono de fábricas no Brasil, no México e no Marrocos, grupo usará o nome Tavex no jeans fornecido a grifes como Diesel

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2014 | 02h08

A Tavex, fabricante de tecidos controlada pelo Grupo Camargo Corrêa, acaba de passar por uma revolução silenciosa, em um trabalho de reformulação de processos e de reorganização de marcas que durou mais de um ano. Coordenado pela consultoria Galeazzi & Associados, o projeto incluiu a mudança do comando do negócio, assumido há três meses pelo executivo Rodrigo C. Barbosa.

Entre as principais decisões tomadas nos últimos 12 meses está o investimento na marca Santista, que já foi sinônimo de jeans e confecções no Brasil dos anos 70 e 80. A marca ganhou agora equipe própria e uma missão: firmar-se como uma referência no setor de tecidos para uniformes, com a missão de incorporar às peças rígidas normas que visam a proteger trabalhadores de plataformas de petróleo e do setor elétrico, por exemplo.

Fruto da união da Santista, tradicional marca da Camargo Corrêa, com o grupo espanhol que hoje dá nome à corporação, a Tavex contabilizou receita líquida de R$ 1,1 bilhão em 2013 e tem fábricas no Brasil, no México e no Marrocos. Com a decisão de trabalhar a Santista como um braço independente, a marca brasileira ganhou executivos de desenvolvimento e de vendas que trabalharão exclusivamente para vender os tecidos de uniformes.

A mudança foi uma forma de garantir que todos os executivos tenham objetivos mais claros. A equipe da Tavex se dedicará inteiramente ao mercado de jeans. Hoje, a Tavex desenvolve tecidos usados por marcas como Morena Rosa, Zara e Diesel.

Criar mundos separados dentro da Tavex foi necessário, segundo o novo presidente da companhia, porque as demandas dos clientes das duas marcas são totalmente diferentes. A Tavex tem de trabalhar para atender às maiores empresas de moda do mundo, que estão principalmente preocupadas com o conforto do cliente e a possibilidade de trabalhar novos conceitos a partir de um tecido com mais tecnologia.

No caso da Santista, a preocupação número um costuma ser a segurança. O conforto e o estilo da peça são preocupações secundárias, mas podem ser definidas em conjunto com as companhias. Embora o negócio da Santista seja a venda de tecidos com tecnologia embarcada, Barbosa sabe que é difícil vender somente a matéria-prima.

Por isso, a empresa desenvolveu fornecedores de costura em todo o Brasil para entregar as roupas prontas aos clientes. "Se o cliente contratar uma confecção homologada pela Santista, nós vamos garantir o uniforme", diz o executivo.

A Santista vai passar apresentar, em eventos regionais, a utilidade das últimas tecnologias desenvolvidas em tecidos para uniformes. A diferença é que, em vez de promover várias coleções ao ano, como a Tavex faz no setor de moda, o "road show" da Santista ocorrerá uma vez por ano.

Economia. Embora as áreas de pesquisa e vendas tenham sido separadas, a Tavex continuou a ter uma só estrutura de administração, o que reduz custos, segundo o diretor de projetos da Galeazzi & Associados, Francisco Maiolino. "Além do corte de gorduras com a readequação no 'back office' (departamentos de apoio), também houve economia na área industrial."

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