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Camargo Corrêa quer vender sua fatia no Itaú

Para bancar expansão, também podem ser vendidas a Tavex e ações da Alcoa

David Friedlander, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

É como se os donos da Camargo Corrêa, um dos maiores grupos empresariais do País, decidissem abrir mão de joias que estão há muitos anos na família. As participações acionárias na Itaúsa (Itaú Unibanco), na gigante do alumínio Alcoa e na Tavex (maior fabricante mundial de denim, o tecido do jeans)serão colocadas à venda, depois de anos no portfólio do grupo. A intenção é usar as receitas das vendas para investir nos negócios hoje prioritários na Camargo Corrêa: cimento, construção pesada e concessões de rodovias e na área de energia.O Estado apurou que o Banco Rothschild já foi contratado para avaliar e negociar os 4,4% que a Camargo tem na Itaúsa, a holding que controla o Itaú Unibanco. O mercado avalia o negócio em cerca de US$ 1,5 bilhão. A direção da Camargo não confirma essas informações, mas pessoas que conhecem a operação dizem que a intenção é aguardar pelo melhor momento e, se ele não aparecer, manter Itaúsa e as outras participações na carteira do grupo. Chegou-se a discutir a venda de parte dos 11,5% que a Camargo tem na siderúrgica Usiminas, mas a ideia foi deixada de lado.O movimento da Camargo Corrêa é ousado, mas silencioso, bem ao estilo de seus donos - a viúva de Sebastião Camargo, fundador do grupo, morto em 1994, as três filhas do casal e seus respectivos maridos. Ele começa com a meta de elevar o faturamento anual do grupo de R$ 15 bilhões no ano passado para R$ 40 bilhões até 2013.Para concretizar esse plano, o comando do grupo calculou que será necessário investir cerca de R$ 27 bilhões nesse período. Desse total, espera-se conseguir cerca de R$ 13 bilhões em empréstimos e algo como R$ 6 bilhões com a geração de recursos próprios. Os últimos R$ 8,5 bilhões serão obtidos por meio da venda de ativos ou no mercado de capitais."Não vou comentar especificamente A, B ou C", diz o presidente do Conselho de Administração da Camargo, Vitor Hallack. "Agora, quando você olha nossos negócios, Itaúsa ou Alcoa são ativos que não entram nas categorias de negócios principais, consolidados ou em desenvolvimento. Logo, são reservas de valor, são ativos que têm liquidez, é como se fosse caixa" (leia entrevista abaixo).O executivo explica, ainda, que além de captar recursos por meio das empresas já listadas em bolsa, o grupo poderá abrir o capital de outras companhias "no tempo devido".As participações na Itaúsa, na Alcoa e na Santista Têxtil - que anos mais tarde se fundiu com a espanhola Tavex -, foram ideia de Sebastião Camargo. A Camargo já era uma grande empreiteira de obras públicas e comprar pedaços de empresas de outros ramos foi uma estratégia para explorar novos campos de negócios e investir o dinheiro que entrava no caixa. O grupo chegou a ser o terceiro maior acionista individual da Itaúsa, atrás apenas das famílias Setúbal e Villela, donas do Itaú, e teve mais de 2% da Alcoa mundial. A Tavex, da qual a Camargo tem 49%, foi produto da diversificação rumo ao mercado de consumo - o grupo é dono também da indústria de calçados Alpargatas.A estratégia, agora, é explorar as oportunidades potenciais no campo da infraestrutura. "Imaginamos que o Brasil será mesmo um dos primeiros países a sair da crise e, quando isso acontecer, vai precisar investir em infraestrutura. Estamos posicionados para isso", afirma Hallack.Como construtor, o grupo fez dezenas de obras viárias, barragens e hidrelétricas para a União e para governos estaduais. Seu maior contrato hoje é a construção da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. O conhecimento na construção pesada foi transformado numa nova plataforma de negócios após o programa de desestatização dos governos de Fernando Henrique Cardoso, no final dos anos 90.Hoje o grupo explora rodovias como a Bandeirantes e a Anhanguera, em São Paulo, a via Dutra (São Paulo-Rio), é o maior distribuidor brasileiro de energia por meio da CPFL e opera aeroportos no Chile, na Colômbia, em Honduras e em Curaçau, por meio da A-port. A outra grande aposta do grupo é a área de cimento, setor em que a Camargo tem uma das maiores indústrias do Brasil e a maior da Argentina. Atualmente, desenvolve projetos novos no Paraguai e em Angola.É nessas áreas, afirma Hallack, que o grupo pretende aplicar a maior parte do investimento de R$ 27 bilhões: R$ 11bilhões no setor de energia, R$ 7 bilhões em cimento, R$ 2 bilhões em siderurgia, outros R$ 2 bilhões em construção, R$ 1,8 bilhão nas concessões rodoviárias e R$ 1,4 bilhão na empresa de operação de aeroportos. O restante será pulverizado. "Esse é um retrato do momento. Nós fazemos um plano para cinco anos que é ajustado a cada ano", diz o presidente do conselho da Camargo.O maior desafio do grupo este ano, no entanto, aconteceu num outro campo. Em março, diretores e secretárias da empresa foram presos pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia. Os funcionários estão sendo processados por crimes como lavagem de dinheiro, evasão ilegal de divisas e formação de quadrilha. De acordo com Kalil Cury Filho, diretor de Relações Institucionais do grupo, além de abalar emocionalmente os funcionários do grupo, a notícia da operação da Polícia Federal na Camargo Correa no começo provocou situações desconfortáveis, como pedidos de explicações de financiadores do grupo. "Já conversamos com eles e está tudo bem. Na Justiça, estamos nos defendendo", diz Cury Filho.

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