Tiago Queiroz/Estadão
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Camargo Corrêa vai pagar R$ 1,4 bi para concluir acordo de leniência 

Em 2015, grupo foi o primeiro a assumir crimes de corrupção dentro das investigações da Operação Lava Jato; agora, concordou em elevar em mais R$ 500 milhões o valor de sua penalidade e encerrar de vez os processos que responde 

Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 09h49

O grupo Camargo Corrêa anunciou na última quarta-feira, 31, que fechou acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). Primeira empreiteira a confessar envolvimento em crimes e atos ilícitos, que incluem pagamento de propinas para ganhar licitações em obras públicas, a construtora desembolsará um total de R$ 1,4 bilhão para encerrar de vez o processo e virar a página. 

Pelo acordo divulgado, a construtora se comprometeu a pagar o valor adicional de R$ 500 milhões. Em 2015, o grupo já tinha acertado indenização de R$ 700 milhões (o montante corrigido soma R$ 900 milhões). Nos cálculos da multa total, estão incluídos cerca de R$ 900 milhões por enriquecimento ilícito, R$ 330 milhões correspondentes à restituição de valores pagos referentes a propinas, além de multas administrativa e civil. O valor deverá ser devolvido aos cofres públicos até 2038. 

Desde que os escândalos de corrupção vieram à tona, a Camargo Corrêa se desfez de importantes empresas, levantando quase R$ 15 bilhões em recursos e foi obrigada a adotar uma administração mais espartana e uma gestão mais financeira.

Nova geração

A decisão de fechar o acordo de leniência foi tomada há quatro anos, quando a terceira geração do grupo, fundado por Sebastião Camargo  em 1939, assumiu o comando dos negócios. À frente das principais decisões estratégicas, a nova geração – formada por netos e maridos das três herdeiras (Regina, Renata e Rosana, filhas do fundador) – decidiu transformar o conglomerado em uma gestora de portfólio.

Construtora

Em 2017, a holding Camargo Corrêa mudou seu nome para Mover e dividiu a empreiteira em duas partes: Construções e Comércio Camargo Corrêa, a 4C, que concentrou a carteira de obras e as negociações com a Lava Jato, e a Camargo Corrêa Infra, subsidiária integral da 4C. Os gestores decidiram manter o nome Camargo Corrêa como marca da construtora, uma forma de não apagar a sua história.

Em comunicado, o grupo informou que encerra “uma importante etapa para a 4C, que foi a primeira empresa do setor a colaborar de forma contínua com o Ministério Público Federal (MPF) e com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).” 

Licitação pública

Em maio, a Camargo Corrêa Infra venceu a licitação de R$ 424 milhões para construir a extensão de um trecho do metrô em Salvador. É o primeiro contrato de obra pública do grupo, após a Lava Jato. Para a construção de um ramal de 9,2 quilômetros de extensão, a construtora disputou as obras com outras empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção, como a Queiroz Galvão e a Odebrecht, que questionaram a participação do consórcio da Camargo Corrêa durante o processo de licitação.

A carteira de obras da Camargo Corrêa Infra está em cerca de R$ 2,5 bilhões. Essa divisão está sob a gestão do executivo Januário Dolores, que chegou a ao grupo em setembro do ano passado, após 42 anos trabalhando em uma única empresa – a ABB (adquirida pela Alston e depois incorporada pela GE). 

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