Camargo Corrêa veta interessados na CPFL

Empresa não quer a Neoenergia como sócia por causa de ligações com a Odebrecht, diz fonte

Wellington Bahnemann, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

A possível venda da participação do grupo Votorantim na CPFL Energia pode demorar mais do que se imagina pelo mercado. O grupo Camargo Corrêa, que divide meio a meio com a empresa da família Ermírio de Moraes os 28,4% detidos pela VBC Energia na holding elétrica, vetou que o negócio fosse concluído com os potenciais interessados no ativo: a Neoenergia e a estatal mineira Cemig. "O que tem dificultado no processo é o poder de veto que a Camargo Corrêa tem", afirmou uma fonte do mercado que acompanha o processo. Além do poder de veto, a Camargo Corrêa também tem direito de preferência na compra das ações, mas ainda não se decidiu se vai exercê-lo.Segundo apurou a Agência Estado, pesa contra a Neoenergia o fato de a companhia ter ligações com a construtora Odebrecht, com a qual a Camargo Corrêa travou uma grande batalha nos últimos meses em torno da hidrelétrica Jirau, do rio Madeira - a Odebrecht, que estudou por quase seis anos o projeto em parceria com Furnas, questiona o deslocamento do eixo da usina em nove quilômetros proposto pelo consórcio vencedor da concessão, liderado pela Suez e a Camargo Corrêa, sob o argumento de que isso fere as regras da licitação realizada em maio de 2008."Para a Neoenergia, o negócio faria todo sentido, ainda mais considerando que um dos principais acionistas do grupo é a Previ, que tem relevante participação na CPFL Energia. Mas o problema é que a empresa tem ?ligações baianas? com a Odebrecht, o que traz dificuldade por causa da rixa entre as duas construtoras", diz a fonte. De fato, a Odebrecht é responsável pela construção de recentes projetos de geração em que a Neoenergia está envolvida, tais como Dardanelos (MT), Baguari (MG) e algumas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Além disso, as duas empresas disputaram, recentemente, um leilão de transmissão em parceria.Já a Camargo Corrêa não vê com bons olhos a entrada da Cemig na VBC por conta do perfil operador da estatal mineira. "A Cemig não entra em uma empresa para seguir a determinação dos outros. A estatal quer comandar o negócio. Esse estilo de gestão se choca com o perfil da Camargo Corrêa", afirmou a fonte. Caso a construtora não venha a exercer o seu direito de preferência dentro da VBC, uma possível saída para a venda da participação da Votorantim seria a atração de fundos de investimento. "A Votorantim poderia aparecer com um sócio que apenas colocaria dinheiro, e não teria tanta interferência na gestão", diz a fonte.Segundo informou o Estado no final de 2008, a Votorantim teria pedido R$ 2 bilhões pela sua participação na VBC, empresa que participa do bloco de controle da CPFL Energia. Se confirmada, essa não seria a primeira operação de venda de ativo do grupo, em um momento em que registrou perdas de R$ 2,2 bilhões em operação de derivativos. Na semana passada, a companhia da família Ermírio de Moraes vendeu 49,9% ao Banco do Brasil por R$ 4,2 bilhões.Esta semana, por sua vez, o grupo Votorantim deu início ao processo de incorporação da Aracruz pela controlada VCP (braço de papel e celulose), operação no valor de R$ 2,7 bilhões referentes à participação de 28% da Arapar na Aracruz.

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