Camargo Neto critica embargo argentino à carne do Brasil

O ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto, disse que a decisão das autoridades argentinas de suspender as importações de carne bovina brasileira, por causa de um foco de febre aftosa no Pará, deve servir de alerta para o governo brasileiro em relação ao tratamento diferenciado dado ao país vizinho. "Além de importar um volume pouco significativo de carne brasileira, os argentinos sabem muito bem que o município de Monte Alegre (PA), onde ocorreu o foco, está mais próximo de Miami (EUA) do que de Florianópolis (SC) e que não existe risco de disseminação da doença", disse ele. Na opinião de Camargo Neto, a atitude da Argentina pode ser comparada à tomada pela China no caso da soja, "no qual uma pequena carga com presença de sementes tratadas com fungicidas gerou embargo de todas vendas do produto". Camargo Neto cobrou uma posição mais firme do Brasil, "que se omite quanto à taxação ilegal do açúcar brasileiro na Argentina. Não se consegue nem marcar reunião no Itamaraty para discutir o problema", disse ele. Camargo adiantou que as autoridades sanitárias argentinas devem argumentar que as normas internacionais exigem o fechamento da barreira para continuar exportando para a Rússia, mas que esta não seria uma atitude esperada de um parceiro. "Os argentinos deviam ajudar o Brasil a convencer a Rússia de que o foco no Pará não representa risco, mas o que existe é guerra comercial."Brasil sujeito a ações protecionistasPedro de Camargo Neto salientou que o Brasil vem se consolidando como líder no mercado internacional de commodities agrícolas e estará cada vez mais sujeito a ações como o caso da soja na China e da carne na Rússia e Argentina. Por isso, diz ele, as autoridades sanitárias brasileiras não podem mais conviver com "risco desconhecido". Camargo criticou a prioridade dada ao programa de rastreabilidade bovina (Sisbov), "enquanto questões como o combate à febre aftosa são deixadas em segundo plano. Há mais de dois anos não sou convidado pelo Ministério da Agricultura para discutir os programas relativos à febre aftosa", disse ele.

Agencia Estado,

23 de junho de 2004 | 13h28

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