Camargo Rosa: governo tem de sinalizar que consegue controlar a dívida até 2018

SÃO PAULO - Dada a avaliação da Moody's de que a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) deve seguir avançando até atingir 70% em 2018, o governo brasileiro precisa sinalizar ser capaz de manter o esforço fiscal para controlar o endividamento nos próximos anos. A avaliação é do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa. "A perspectiva traçada pela Moody's acende a luz amarela no painel. É muito fácil perder o controle e fazer com que a dívida supere os 70% do PIB de maneira rápida", comentou.

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 19h27

Segundo o economista, o governo também precisa pensar em reformas que lhe permitam ter mais "maleabilidade na condução da política fiscal". "É preciso um esforço fiscal para estabilizar a dívida e demonstrar que com a retomada do crescimento de forma mais significativa, a partir de 2018, a relação com o PIB entrará em trajetória de queda ou apontar para uma política de sustentabilidade", afirmou. Camargo Rosa destaca que até lá, o cenário de crescimento baixo e inflação alta impede a entrega de esforços fiscais mais fortes pelo governo.

Questionado, o economista-chefe da SulAmerica Investimentos classificou como "positiva" a reação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao rebaixamento do rating. Levy afirmou que a declaração da Moody's "dá indicação das prioridades que a gente tem que ter em relação a manter a qualidade da nossa dívida pública".

Sobre o atual momento, Camargo Rosa afirmou que o País ganha pelo menos mais seis meses para manter o grau de investimento. "O governo parece que está começando a retomar a governabilidade e a superar a crise, afastando o fantasma do impeachment", disse. "Assim, ganha-se tranquilidade para prosseguir com o ajuste econômico", estimou. Ele avalia ser necessário, agora, recuperar a confiança dos agentes econômicos.

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