Câmbio afeta ritmo de exportações

Estudos da OMC mostram que o Brasil não acompanha crescimento das vendas de países como China e Índia

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

Levantamentos feitos pela Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o real valorizado está impedindo que o Brasil consiga acompanhar o mesmo ritmo de crescimento nas exportações que os países emergentes, como China e Índia. Dados obtidos pelo Estado apontam que de janeiro a setembro o crescimento das vendas do País em termos nominais foi de 16%, pouco acima da média mundial de 15% no mesmo período. Mesmo assim, o desempenho somente está sendo atingido graças aos altos preços das commodities agrícolas. Em 2006, o Brasil vendeu US$ 137,5 bilhões e fechou o ano na 24ª posição entre os maiores exportadores do mundo e, ao contrário do que previa o governo, caiu no ranking. No ano passado, as exportações já haviam crescido 16%, mas outros países emergentes apresentaram desempenhos superiores em suas vendas. Com 1,1% do mercado mundial, o Brasil não tem garantias de que conseguirá subir na tabela em 2007. A China, que já é a terceira maior exportadora, somou US$ 968,9 bilhões em 2006 e, até setembro de 2007, teve um aumento de 27% em suas vendas. As importações cresceram 20%. A Índia também apresentou dados positivos, com crescimento de 20% em suas exportações de janeiro a setembro. As importações aumentaram 25%.No caso do Brasil, o real também estaria impactando nas importações. No ano passado, as compras chegaram a US$ 95,9 bilhões, com alta de 24%. Segundo a OMC, o País ocupava a 28ª posição entre os maiores importadores do mundo, ranking liderado pelos Estados Unidos com US$ 1,9 trilhão. De janeiro a setembro deste ano, a alta no Brasil já foi de 28%, em parte também graças ao aumento do consumo interno. DESACELERAÇÃOPara os economistas na OMC, o Brasil teria potencial para crescer a níveis mais elevados. Dados dos últimos anos mostram que, de fato, houve uma desaceleração no ritmo de crescimento das exportações brasileiras. Em 2004, a taxa chegou a 32%, ante 23% em 2005 e 16% no ano passado, desempenho que poderá se repetir nesse ano.O risco, segundo os analistas, é que o crescimento no Brasil pode estar sendo inflado pelos altos preços de commodities como açúcar ou soja. Se o real continuar valorizado e o mercado agrícola recuar, a balança comercial brasileira também poderia sentir um impacto. Os índices brasileiros hoje, portanto, são muito parecidos com o desempenho da Europa, que no período de janeiro a setembro de 2007 mostraram crescimento de 15%. Tradicionalmente, o aumento das exportações em países ricos é menor que que dos países emergentes, já que parte de uma base maior. Nos Estados Unidos, a taxa foi de 11%, abaixo dos 15% de 2006. Em relatório lançado ontem pela OMC sobre os 60 anos da criação do atual sistema multilateral do comércio, ficou ainda claro que o Brasil dominava uma fatia maior do comércio mundial em 1948 que hoje. Há 60 anos, as exportações nacionais representavam 2% das vendas mundiais. Em 2006, 1,1%. A proporção de exportação por Produto Interno Bruto (PIB) era bem maior no início do século, com 9,8% em 1913. Em 2000, essa taxa caiu para 5,5%. Hoje, voltou para quase 9%. TECNOLOGIAEm um dos setores de maior dinamismo, o de produtos de tecnologia, o Brasil é o 18ª maior exportador, de acordo com dados de 2005. Naquele ano, o País representava apenas 0,3% do comércio do setor, com US$ 4 bilhões. Já a China aparecia com 14,9% do comércio mundial, superada apenas pela Europa, com 27%. Mas, se o comércio entre os países do bloco europeu não for considerado, a China é a primeira com US$ 213 bilhões, seguida por Estados Unidos com US$ 170 bilhões e México com US$ 33 bilhões. Entre os importadores de produtos de tecnologia, o Brasil também ocupa a 18ª posição. Porém, com compras de US$ 10,9 bilhões e 0,7% do que é consumido no mundo.

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