CÂMBIO-Aperto na China faz dólar subir para R$1,748

O dólar subiu pela segunda sessão consecutiva frente ao real nesta terça-feira, apoiado na reação internacional ao aumento dos depósitos compulsórios na China.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

12 Janeiro 2010 | 17h06

A moeda norte-americana fechou a 1,748 real, em alta de 0,63 por cento. O volume, de acordo com dados da câmara de compensação (clearing) da BM&FBovespa, superava 2,5 bilhões de dólares perto do fechamento.

No mês, o dólar acumula variação positiva de 0,29 por cento.

A justificativa para a alta do dólar em relação a moedas de perfil semelhante ao real foi o aumento dos depósitos compulsórios na China, grande consumidora de commodities. O país tenta evitar um superaquecimento da economia após números surpreendentemente fortes do comércio.

Enquanto o mercado local terminava as operações, o dólar se mantinha estável ante as principais moedas, mas subia em relação a divisas de países emergentes e atrelados a commodities, como os dólares australiano e neozelandês, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Já as bolsas de valores internacionais caíam com o início frustrante da temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos.

O índice Reuters-Jefferies de commodities recuava 1,9 por cento, e o petróleo cedia mais de 2 por cento. O Ibovespa perdia 1,3 por cento.

A expectativa de que o governo brasileiro possa atuar com mais força caso o dólar caia abaixo de 1,70 real, com a compra de dólares pelo Fundo Soberano, também tem contribuído para sustentar as cotações.

"A gente vai ficar um bom tempo entre 1,70 e 1,80 (real)", disse Moacir Marcos Júnior, operador da corretora Finabank.

Tampouco existe combustível suficiente para que a alta do dólar supere 1,80 real no curto prazo, ponderou. Mesmo com um déficit comercial na primeira semana de janeiro, o mercado ainda assiste a um aumento da oferta por parte de exportadores quando a taxa avança para mais de 1,75 real, acrescentou o operador.

A oferta de dólares também deve aumentar nos próximos dias por operações financeiras. Após a emissão de 1 bilhão de dólares em bônus de 10 anos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na semana passada, o Banco do Brasil prepara a emissão de papéis de cinco e 10 anos no exterior, segundo fontes.

Além disso, o mercado aguarda a conclusão de operações do Banco Votorantim, com grande demanda pelos cerca de 750 milhões de dólares em títulos de 10 anos, e do BicBanco, com um volume de pelo menos 200 milhões de dólares, de acordo com o IFR, serviço de informações da Thomson Reuters.

RESERVAS RECORDES

O mercado foi surpreendido por um leilão de compra de dólares do Banco Central às 10h35, mais cedo que o habitual. É o segundo dia seguido em que a autoridade monetária realiza essa operação na parte da manhã.

A compra de dólares com frequência praticamente diária levou as reservas internacionais a superar na segunda-feira o patamar de 240 bilhões de dólares pela primeira vez.

De acordo com operadores, não houve motivo aparente nesta sessão para a mudança no horário do leilão, embora o volume de negócios tenha subido bastante em relação aos 660 milhões de dólares da véspera. A operação praticamente não afetou a taxa de câmbio.

(Edição de Daniela Machado)

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