Câmbio atual é "incômodo" para exportador, diz Mantega

O patamar atual do câmbio é "incômodo" e poderá resultar em problemas para os exportadores no futuro, segundo avalia o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega. Em palestra realizada hoje em evento de exportadores, ele salientou que os juros altos consistem no principal fator responsável pela valorização do real e citou a China como exemplo de país que desvalorizou a moeda local para elevar a competitividade dos exportadores. Segundo Mantega, o real está valorizado em parte pelo próprio sucesso das exportações, que garantiu o superávit comercial e em transações correntes, mas disse que os juros altos também são responsáveis. "Os juros altos permitem a arbitragem de ganhos entre o dólar e a Selic (juro básico da economia), isso dificulta a intervenção do Banco Central", disse, acrescentando que "os juros altos são um dos principais causadores da valorização do real". Mantega destacou que, no momento, os resultados da balança comercial do País não mostram problemas do câmbio, mas "o resultado de um câmbio inadequado deve ser visto mais adiante, quando talvez seja tarde para reverter os resultados negativos". Mantega disse ainda na palestra que "alguns gostariam de uma atuação mais agressiva do Banco Central nessa esfera e o BC tem atuado, talvez não na escala que desejaríamos. Mas temos que reconhecer que o câmbio nesse patamar vai desestimular um maior esforço exportador". Em entrevista após a palestra, o presidente do BNDES disse, sobre o fato de ter citado a China como exemplo de gestão da moeda em benefício das exportações, que cada País tem as suas peculiaridades mas os chineses foram bem-sucedidos nessa estratégia. Segundo ele, enquanto os juros estiverem altos ao ponto de tornarem as aplicações no Brasil muito mais atraentes do que aquelas em dólar, será difícil desvalorizar o real até porque, segundo ele, os juros têm dificultado até mesmo as intervenções do Banco Central. Orçamento Sobre o BNDES, Mantega afirmou que o orçamento de R$ 50 bilhões do banco para 2005 ainda poderá ser integralmente realizado e, para o ano que vem, estão confirmados os R$ 60 bilhões como meta de desembolsos do banco. Ele admitiu que até outubro os desembolsos tinham chegado a R$ 33,9 bilhões, valor ainda distante da meta de R$ 50 bi, mas disse que muitos projetos já foram e serão liberados em novembro e dezembro. Segundo ele, em termos de projetos aprovados com certeza a meta será alcançada. No que diz respeito a 2006, Mantega disse que o orçamento é "realista" e poderá ser executado. Indagado se a redução da TJLP, pleito do BNDES, ajudaria na execução orçamentária, ele respondeu que "se a TJLP for menor, teremos demanda maior de projetos, essa é uma verdade econômica simples".

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