Câmbio derruba volume exportado

O País registrou queda de volume exportado nas três categorias de produto no primeiro trimestre do ano. Na comparação com períodos semelhantes, esta foi a primeira redução generalizada desde 2002.Encolheram as quantidades vendidas de produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados. Na média, o recuo foi de 4,79%. O dado consta de levantamento feito pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) a que o Estado teve acesso. A entidade estima que as exportações físicas poderão fechar este ano com variação negativa, depois de oito anos de crescimento.De janeiro a março, a quantidade exportada de produtos básicos caiu 4,39%, de semimanufaturados, 3,36%, e manufaturados, 9,26%. Em 2007, por exemplo, só os semimanufaturados (como celulose, ferro, placas de aço, alumínio e açúcar bruto) registraram queda. O resultado negativo no primeiro trimestre de 2002 ocorreu, basicamente, por causa do alto crescimento das exportações físicas em igual período do ano anterior, quando a indústria estava num ritmo acelerado, antes do racionamento de energia elétrica. O ano de 2002 fechou com crescimento em volume, apesar da queda inicial.O vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, explica que no primeiro trimestre deste ano aumentou o impacto negativo geral das quedas em produtos que vinham segurando o resultado, como minério (-0,59%) e petróleo (-48,32%). Já nos manufaturados, o destaque negativo, também em volume, foi de laminados planos de ferro. "A tendência para o ano é de uma variação negativa nas quantidades exportadas. O motivo é o câmbio fraco", disse Castro. Houve também queda de 2% no total de empresas exportadoras, de 13.785 para 13.469, na comparação os primeiros trimestres de 2007 e 2008.Para a AEB, as medidas da Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciadas segunda-feira, "são boas, mas não suficientes para ter um impacto nas exportações". Com base no cenário atual, a avaliação é de que o governo não deve chegar à meta de exportações US$ 208,8 bilhões em 2010, o que daria ao País uma fatia de 1,25% do comércio internacional. A outra meta é justamente ampliar em 10% a quantidade de exportadoras de pequeno porte, o que também é considerado difícil.O que vem sustentando o crescimento das exportações em valores é o aumento dos preços, de 19,5%, em média. Na visão do consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio de Almeida, o quadro negativo das quantidades exportadas de manufaturados "veio para ficar", mas pode haver ainda alguma recuperação nas exportações de básicos e seminafaturados. "De qualquer maneira, o resultado do trimestre é um sinal complicado", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.