Câmbio deve piorar resultados de empresas

Os balanços das companhias abertas no terceiro trimestre devem trazer, mais uma vez, forte impacto negativo da alta do dólar. Segundo analistas, a piora nos números irá praticamente repetir o comportamento do segundo trimestre e já é esperada pelo mercado. De novo, as exportadoras aparecem como destaque positivo.Às vésperas do fechamento dos balanços, o câmbio acumula uma desvalorização de mais de 30%, superior aos 22% apurados entre abril e junho. Além da perda contábil relativa ao endividamento em moeda estrangeira, as companhias devem apresentar piora operacional, devido à dificuldade de repasse da elevação de custos, conforme avaliação do chefe do departamento de análise da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre. Outro componente ruim foi a baixa atividade econômica no período."Há evidências de que a economia não andou, tanto pelo lado do crédito como do consumo final", observou o diretor de pesquisa do Unibanco Research, Pedro Bastos. O cenário deve influenciar não só o resultado líquido das empresas, mas também a geração operacional de caixa (Ebitda), um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado. "Não esperamos grandes performances", disse a Mônica Araújo, chefe do departamento de pesquisas da BES Securities. De maneira geral, as energéticas devem apresentar expressiva deterioração nos balanços, em razão das elevadas dívidas atreladas à moeda norte-americana. Há casos porém, como o de Eletrobrás, em que a desvalorização do real será benéfica, pois a companhia é credora em dólares por conta das vendas de energia de Itaipu.No setor de telecomunicações, as empresas fixas têm uma exposição menor de dívida do que as celulares. "Em segmentos como o petroquímico e de papel e celulose, no entanto, existe uma assimetria grande entre as empresas", disse Alexandre, da Itaú.ExportadorasCom o câmbio médio mais alto, o bom desempenho das exportadoras é uma opinião unânime entre os analistas. A expectativa é que a desvalorização acentuada em dois trimestres consecutivos melhore as margens de lucro dessas companhias, sobretudo as que possuem baixo índice de importação em seus custos. Bastos, do Unibanco, também acredita em bons resultados, mas lembrou que os preços dos produtos, em dólar, não avançaram tanto quanto se imaginava. O especialista destacou que, sob o ângulo de alocação de ativos, as ações de empresas exportadoras representam um belo hedge (proteção) contra a variação do dólar no curto prazo. "Num horizonte mais longo, considerando que todos os candidatos à presidência da República querem incentivar as exportações, esses papéis também figuram como boas apostas."

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