Câmbio duplo não é bem recebido em Wall Street

A economista senior para America Latina do Banco Credit Suisse First Boston (CSFB), Lacey Gallagher, disse que as medidas econômicas anunciadas no fim de semana pelo presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, vão aprofundar a crise econômica, aumentar o risco político e deixar a recuperação econômica fora de alcance. A visão negativa da economista do CSFB também se refere ao regime cambial duplo, que estabeleceu um câmbio fixo de 1,4 para transações comerciais e um câmbio flutuante para o turismo."Essa taxa de câmbio fixa oficial de 1,4 terá uma vida mais curta do que se espera. O câmbio deverá flutuar muito mais cedo do que se imagina", afirmou Gallagher. A nova equipe econômica da Argentina indicou que a taxa fixa de 1,4 ficará em vigor por quatro ou cinco meses e que a taxa flutuante para as transações de turismo ficará próxima desse nível de 1,4.Na opinião de Gallagher, no curto prazo é possível que a taxa flutuante não se desvalorize tanto em relação à taxa fixa de 1,4. "Mas isso porque há uma escassez de pesos na economia argentina, devido aos limites nos saques dos depósitos bancários. Mas, nas próximas semanas ou meses, é muito provável que a taxa flutuante caia bem abaixo do nível da taxa oficial", disse. A liquidez apertada em pesos, ou seja, o pequeno volume de pesos em circulação na economia, deverá continuar, dado o temor do novo governo argentino com a volta da hiperinflação."O Banco Central, que agora pode emitir moeda independentemente do nível de reservas, deverá limitar a emissão de pesos por conta do risco de hiperinflação", disse. Gallagher também calculou que a medida de converter as dívidas em dólares para pesos (na proporção de 1 para 1) nos valores até US$ 100 mil, enquanto os depósitos bancários manterão seus valores em dólares, deverá criar um buraco no sistema bancário de US$ 6 bilhões a US$ 12 bilhões.Esse diferencial deverá ser coberto com uma emissão de títulos públicos pelo governo argentino tendo como garantias as receitas da tributação de petróleo. Gallagher acha difícil que essas receitas com impostos do petróleo sejam suficientes para cobrir esse diferencial. "A expropriação ?de facto? no sistema financeiro e nos setores produtivos do país completa virtualmente a destruição do sistema bancário argentino e também destrói qualquer oportunidade de ingresso de FDI (investimento direto estrangeiro) criada com a desvalorização", afirmou Gallagher.Leia o especial

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