Câmbio estável apesar da entrada maciça de dólares

Em apenas um mês e meio, neste ano, o País recebeu um ingresso líquido de US$ 18 bilhões, quase 3/4 dos US$ 24,3 bilhões que entraram em todo o ano passado. Os estrangeiros que aplicam recursos no Brasil estão interessados no juro básico - que já subiu e deverá subir mais - e na taxa de captação do Tesouro e dos bancos privados, bem como na manutenção das regras de entrada e saída de capitais. Estão em segundo plano medidas de restrição às aplicações, como o aumento do IOF e o limite às operações de venda de dólares a descoberto pelos bancos, decisões postas em prática pelo Banco Central (BC) para tentar evitar a valorização do real.

, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Levantamento divulgado nesta semana mostrou que fundos globais administrados por gestores como Pimco, Aberdeen, Black Rock e Calpers chegam a ter 2% dos seus ativos no País, quase o dobro das posições detidas entre o início da década passada e 2008.

Apesar da entrada maciça de recursos externos, o câmbio passou a flutuar pouco graças à política mais ativa do BC, mediante leilões de swap cambial reverso e vendas no mercado a termo - modalidades destinadas a evitar flutuações bruscas do dólar, que impõem alto risco de prejuízos a compradores e vendedores. Cotado a R$ 1,6706, em 19 de janeiro, o dólar foi negociado, em 16 de fevereiro, a R$ 1,6674, e a R$ 1,6630, às 16 horas de ontem.

Mas a entrada maciça de dólares acarreta, como se sabe, sacrifício adicional à política fiscal, pois o governo tem de vender títulos para comprar dólares. Quase US$ 10 bilhões, adquiridos nos últimos 30 dias, elevaram as reservas a US$ 302 bilhões.

Além disso, o desequilíbrio fiscal dos últimos dois anos impôs, por exemplo, políticas monetárias e creditícias mais restritivas e com juros altos. Até que essas políticas deem resultado, estabilizando ou derrubando os índices de preços, e possam ser suavizadas, o Brasil continuará atraindo vultosos recursos externos. Entre os dias 7 e 11 deste mês, o fluxo de dólares para a Bolsa e para investimento estrangeiro direto foi de US$ 3,2 bilhões, compensando o resultado comercial que chegou a US$ 700 milhões negativos.

Com mais dólares entrando, o desafio é manter no nível mais estável possível as cotações, para não prejudicar mais a exportação e a estabilidade de longo prazo do balanço de pagamentos, que depende de mais competitividade dos produtos brasileiros no mundo. Até que haja essa melhora, se houver, será preciso atuar no câmbio, como faz a maioria dos países, sabendo-se que a flutuação livre da moeda não passa de desejo utópico.

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