Câmbio flutante descolou Brasil da crise, diz FMI

O sistema de câmbio flutuante adotado pelo Brasil é o responsável pelo isolamento dos efeitos da crise argentina sobre os mercados financeiros do País. A afirmação é da vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, em palestra a um grupo de economistas durante jantar realizado em Melbourne, Austrália. Segundo ela, o Brasil "tem uma política de câmbio flexível, e isso parece ter amortizado o efeito de grande parte do que está ocorrendo na Argentina".Krueger afirmou que o Brasil, em vez de ter sido vítima da fuga de capitais de investidores preocupados com os efeitos da crise argentina na região, beneficiou-se dos problemas no país vizinho.Na opinião da executiva, o real e o mercado de ações têm tido um desempenho mais forte do que o previsto logo depois que foram anunciados os controles de capitais na Argentina.Esse desempenho é, em parte, um reflexo da desvalorização prévia da moeda brasileira. Na Argentina, está em vigor desde dezembro do ano passado um rígido sistema de restrições sobre contas correntes e sobre os saques de depósitos, com o objetivo de evitar uma fuga de capitais do país."O tipo de reação especulativa previsto nestas circunstâncias simplesmente não ocorreu", disse Krueger. "Creio que a lição que pode ser tirada dessas diferentes crises é que os tipos flexíveis (de câmbio) são uma melhor defesa."Missão - Sobre o apoio do FMI à Argentina, Krueger disse que é bom para a comunidade internacional que o Fundo continue trabalhando em busca de uma solução para os problemas do país.A missão do Fundo que chegaria hoje a Buenos Aires teve seu desembarque adiado para amanhã, conforme informações do Ministério de Economia. Composta por especialistas em assuntos fiscais, a missão avaliará todos os detalhes da proposta de orçamento para 2002.A primeira reunião dos técnicos será com o secretário de Fazenda, Oscar Lamberto, amanhã à tarde. A diretoria do FMI deverá enviar uma nova missão, dessa vez negociadora, após o recebimento dos relatórios fiscal e financeiro/monetário, este último a cargo dos técnicos que passaram a semana passada avaliando os números do Banco Central e do sistema financeiro.

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