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CÂMBIO-Mercado externo orienta dólar no Brasil em setembro

A recuperação do dólar no cenáriointernacional deve ser a principal bússola do mercado de câmbiono Brasil em setembro, após a arrancada da moedanorte-americana em todo o mundo nas últimas semanas. Agosto terminou com a maior valorização mensal do dólar empelo menos uma década frente a uma cesta com as principaismoedas internacionais . No Brasil, o dólar avançou 4,41 porcento, maior alta mensal desde maio de 2006. Entre os fatores que ressuscitaram a moeda após vários anosde desvalorização, analistas citaram a queda dasmatérias-primas após meses de recordes sucessivos. A fraquezaeconômica do Japão e da Europa também contribuiu, disseram. Essa movimentação no exterior fez o dólar subir no Brasilmesmo com o nível relativamente alto dos juros e com a voltados ingressos de recursos para o país --junho e julho haviamtido saída líquida de capitais. Por isso, analistas são cautelosos em definir um rumo paraa taxa de câmbio em setembro. "A gente vai continuar sendo puxado pelo mercadointernacional", disse Mario Battistel, gerente de câmbio daFair Corretora. Segundo Joel Bogdanski, consultor de análise econômica dobanco Itaú, isso "depende muito da evolução das commodities,que é uma coisa imprevisível". O petróleo, por exemplo, atingiu recorde de quase 150dólares no começo de julho, mas terminou agosto perto de 115dólares --queda de cerca de 20 por cento. "Você pode ter um furacão nos Estados Unidos (por exemplo).É muito difícil de prever o que vai acontecer", disse. Na ausência de novidades, Bogdanski acredita que o dólar semantenha perto da estabilidade durante setembro, sem umatendência definida. "Precisa de uma surpresa, algo bemimprevisto, para que o dólar suba muito ou caia muito." Paraele, o "natural" é que, nas atuais circunstâncias, o dólarfique entre 1,60 a 1,65 real. O cenário internacional é importante também para orientar ocomportamento dos investidores estrangeiros no país. Eleschegaram a acelerar a alta do dólar ante o real no começo deagosto, ao inverter suas posições no mercado futuro paraapostar brevemente na valorização da moeda norte-americana. Agora, eles exibem posições vendidas de cerca de 2 bilhõesde dólares em derivativos cambiais na Bolsa de Mercadorias &Futuros (BM&F) --o que representa uma pressão, ainda que menordo que em meses anteriores, pela queda do dólar no Brasil. "Este fato fortalece a perspectiva de que ao início desetembro, passado este momento de final do mês, o preço dodólar perca a sustentação no entorno de 1,62/1,63 real e recuea 1,60 real", escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGOCorretora, em relatório. Analistas do banco francês BNP Paribas pensam diferente."Vemos espaço para o dólar chegar ao nível de 1,65 real." "O Banco Central vai continuar com uma postura agressiva(em direção ao aumento dos juros). Isso só vai ajudar aminimizar o impacto da tendência global de alta do dólar, masnão vai revertê-lo", comentaram em nota.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

29 de agosto de 2008 | 17h26

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