Câmbio não é maior causa de desequilíbrio no comércio China-EUA, diz Wen Jiabao

Primeiro-ministro chinês diz que país precisa ainda criar suas próprias marcas e que vê 'uma grande distância' do mercado norte-americano nesta área

Regina Cardeal, da Agência Estado,

22 de setembro de 2010 | 15h09

As atuais diferenças entre China e EUA são "muito fáceis de serem resolvidas", disse o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, a altos executivos norte-americanos num evento moderado pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger, segundo The Wall Street Journal. Ao admitir o desequilíbrio comercial entre EUA e China, Wen disse que o mesmo não é intencional. Ele respondeu a críticas às políticas de câmbio e comércio da China, afirmando que a taxa do yuan não é a "principal causa" do desequilíbrio da balança comercial.

Wen também reiterou que o governo da China quer melhorar e desenvolver as relações bilaterais com os EUA, declarando que os interesses das empresas dos dois países estão "inextricavelmente conectados".A China quer que os "EUA sejam fortes e estáveis, assim como os EUA precisam de uma China forte e estável".

O evento ocorre num momento em que líderes corporativos do Ocidente reclamam de dificuldades para fazer negócios na China. No encontro, executivos-chefe de gigantes corporativas como Microsoft e Pepsi Cola, de instituições financeiras como JPMorgan e os ex-secretários do Tesouro Henry Paulson e Robert Rubin sentaram-se numa formação oval com Wen e Kissinger na cabeceira.

A política de câmbio da China tem sido duramente criticada por grupos industriais e sindicatos dos EUA, segundo os quais o yuan está artificialmente subvalorizado e dá à China uma vantagem desleal no comércio que custa milhões de empregos nas indústrias dos EUA. Vozes poderosas no Congresso têm pedido que o governo Obama aumente a pressão para que a China valorize sua moeda.

A menos que o yuan se fortaleça substancialmente em relação ao dólar, um grupo bipartidário no Congresso afirma que vai apresentar legislação prevendo punições à China por manipular as taxas de câmbio. Wen disse que tanto a China quanto os EUA devem "rejeitar o protecionismo" e "abraçar o livre comércio", o que é a resposta padrão do governo da China às ameaças de medidas punitivas no comércio.

A discussão cobriu uma ampla série de tópicos, dos recentes desentendimentos geopolíticos entre EUA e China e a reputação global das companhias chinesas. A China "ainda não é um país fortemente criativo ou inovador", disse Wen. A China precisa criar suas próprias marcas e vê "uma grande distância" dos EUA nesta área. Ao responder ao pedido de um empresário de tratamento igual aos concorrentes chineses, Wen disse que 50 mil companhias dos EUA operam na China e todas "desfrutam de tratamento nacional" igual às empresas chinesas.

Ao responder a uma solicitação para que a China estimule o consumo doméstico, os programas de bem-estar social e o setor de serviços, Wen disse que a expansão da demanda doméstica é "um objetivo estratégico de longo prazo". Ele também respondeu a questões sobre proteção da propriedade intelectual, que tem sido um assunto espinhoso há décadas. O premiê da China admitiu que existem problemas de propriedade intelectual na China. "Nós deveríamos ter padrões éticos e morais mais altos" sobre os direitos de propriedade intelectual", afirmou. As informações são da Dow Jones.

 
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